sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Viver


Se antes de ser Mãe, eu já desejava partir deste frenesim e viver calmamente, num local rodeado de natureza, agora ainda mais.

Como eu queria ter tempo de saborear a Vida e o crescimento da minha filhota. Acordar de manhã e sentir a frescura do verde e o chilrear dos passarinhos. Tomar o pequeno-almoço numa varanda virada para uma montanha e um copo de sumo ao entardecer.

Quem me dera que a Mel pudesse correr e saltar livremente, sem medos e receios.

Quem me dera ter tempo…

E eu atormento-me pela Vida que podia levar, mas que por Medo não a conquisto. Medo de não ter dinheiro para sobreviver e sustentar a minha filha. Como gostaria que não dependêssemos de dinheiro…

Ainda pode acontecer… Ainda vai acontecer…

Como vai a minha princesa


A minha filhota está linda, muito activa, bem disposta… E continua a mesma pequenita paciente e ternurenta. Adora os seus brinquedos e passa tempos infinitos a morder, atirar e bater nos seus amiguitos.

A única altura em que reclama é quando tem de dormir de dia… “Tanta actividade e obrigam-me a dormir, enquanto estão os dois a divertirem-se lá em baixo” – imagino que seja isto que ela pense.

No que respeita à comida, tem dias ou melhor tem semanas. Esta semana está outra vez pior e eu começo a imaginar se foi do alimento novo que introduzi ou de alguma coisa que comi… Uma dificuldade…

Vou andando às apalpadelas e a tentar tirar um sentido disto tudo.

A boa notícia é que já não choro, nem me desespero… Tento levar as coisas na desportiva. Há-de tudo passar… Para a semana ela estará certamente melhor.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Papel do Pai na Amamentação por Perfeito, Perfeito é Mamar ao Peito

"Actualmente falamos muito em Aleitamento Materno mas sempre na perspectiva da Mãe. No entanto, penso que é importantíssimo incluír o pai neste processo.
Em Portugal sabemos que apenas 40% das mães atinge 6 meses de aleitamento materno (ainda que cada vez mais as recomendações da Organização Mundial de Saúde sejam divulgadas: 6 meses de amamentação em exclusivo e complementar até aos 2 anos ou mais).

As causas que levam a esmagadora maioria das mães a desistir da amamentação prendem-se com a insegurança, a falta de informação e a crença de que o seu leite não é suficiente em quantidade ou qualidade para alimentar o bebé.
Posto isto, o pai desempenha aqui um papel fundamental na transmissão de segurança à sua companheira. Se o próprio pai do bebé não for o primeiro a incentivar a amamentação e a conhecer os seus benefícios, a mãe sentir-se-à muito menos confiante.

Deixo-vos, então, um belíssimo texto do pediatra Marcus Renato sobre a participação do pai neste período tão importante na vida do bebé e da sua mãe:
Dez Passos para a participação efectiva e afectiva do PAI no apoio ao Aleitamento Materno
1. Encoraje e incentive a sua mulher a amamentar: Por vezes ela pode estar insegura da sua capacidade de aleitar. O seu apoio será fundamental nessas alturas.
2. Divida e partilhe as mamas da sua mulher com o bebé: Mesmo que seja difícil aceitar, lembre-se que a amamentação é um período passageiro. Dê prioridade ao seu filho(a).
3. Sempre que possível, participe do momento da amamentação: A sua presença, carícia e toque durante o acto de amamentar são factores importantes para a manutenção do vínculo afectivo do trinómio mãe+filho(a)+pai.
4. Seja paciente e compreensivo: No período de amamentação é pouco provável que a sua mulher possa manter a casa, as refeições e o seu próprio aspecto de formas impecáveis. As necessidades do recém nascido são prioridades nesta fase.
5. Sinta-se útil durante o período de amamentação: Coopere nas tarefas do bebé na medida do possível: trocar fraldas, ajudar no banho, vestir, embalar, etc. Quando a mãe estiver a amamentar, ofereça-lhe um copo de sumo de frutas ou de água, ela vai adorar!
6. Mantenha-se sereno: Embora o aleitamento traga muitas alegrias, também traz muitas dificuldades e cansaço. Por vezes a sua mulher pode ficar impaciente. Mostre carinho e compreensão neste momento. Evite discussões desnecessárias para não prejudicar psicologicamente a descida do leite.
7. Procure ocupar-se mais dos outros filhos (se os tiverem): Para que não se sintam rejeitados com a chegada do nov(a)o irmã(o). Isto permitirá à sua mulher dedicar-se mais ao recém-nascido.
8. Mantenha o hábito de acariciar as mamas da sua mulher: Se costumava fazê-lo. Estudos demonstram que quanto mais uma mulher é sensível às carícias do companheiro, mais reagirá à estimulação rítmica de seu bebé.
9. Fique atento às variações do apetite sexual da sua mulher: Algumas mulheres reagem com um aumento da libido, outras com uma diminuição, são alterações normais. Esta é a ocasião para o casal vivências novas experiências e hábitos sexuais, adaptando-se ao momento.
10. Não traga para casa latas de leite, biberões ou chuchas: O sucesso deste período, em grande parte depende, da sua atitude. O Aleitamento Materno exclusivo até aos seis meses e o seu carinho são tudo o que o bebé necessita para crescer inteligente e saudável."

O Pai na Amamentação, por Dr. Marcus Renato» texto retirado do blog Perfeito, Perfeito é Mamar ao Peito

O Papel do Pai


Nós Mães temos um defeito terrível... Achamos que só nós é que sabemos tratar do nosso filho e que mais ninguém o consegue fazer. Pois é, mas o Pai também tem um papel activo e fundamental e há que dar espaço para esse relacionamento ganhar força e crescer. Se em alguns aspectos a Mãe é insubstituível, noutras, o Pai pode e deve intervir...

É comum a todos os futuros papais, principalmente nos de primeira viagem, uma mistura de emoções ao se defrontar com a paternidade. Trata-se de uma situação totalmente nova. Com a mulher é um pouco diferente. Assim que se descobre grávida, ela já se sente mãe. O homem precisa de um tempo para digerir a novidade e sentir-se parte desta família que se está a formar.

A pedido de um amigo que é um Pai recente e de primeira viagem, aqui segue uma pequena exposição sobre papel do pai, pelo conceituado psicologo Luiz Castanheira que afirma que o pai tem uma função muito importante na formação da personalidade e no aspecto emocional da criança.

“Logo ao nascer o bebé e a mãe criam um vínculo de estreita dependência que é necessário à sobrevivência dele. Isto torna-se essencial pois o bebé depende exclusivamente dos cuidados maternos para ser alimentado, tocado e acariciado.

É nesta hora que o papel do pai se faz necessário pois, sendo o terceiro elemento a entrar nesta relação, ele vem quebrar um pouco esta relação dual, criando uma relação triangular.

Muitas vezes, as mulheres não permitem a participação do pai, pensando que o mesmo não saberá lidar adequadamente com o filho; outras vezes não permite por achar que o papel da mãe é cuidar exclusivamente do bebé. É importante que o pai participe desde os primeiros dias da educação e cuidados com o filho.

Nas fases seguintes, quando o bebé passa a explorar o mundo externo, novamente a figura paterna é importante para incentivá-lo a tomar a iniciativa de conhecer o ambiente que o cerca. A mãe geralmente tende a exagerar nos cuidados para proteger o seu bebé, cabendo ao pai o papel de animá-lo a aventurar-se mais.

Os pequenos progressos da criança ao enfrentar o mundo, sempre incentivado pelo pai, vão sedimentando os seus sentimentos quanto às suas habilidades e ao seu próprio valor enquanto pessoa.

É reconhecido um importante papel do pai no desenvolvimento da criança: a interacção pai/filho é um dos factores decisivos para o seu desenvolvimento cognitivo e social, facilitando a capacidade de aprendizagem e de integração da criança na comunidade.
A razão principal pela qual o pai deve ter um relacionamento adequado com seu filho, é porque um dia esse filho tornar-se-á adulto e levará essa imagem reflectida por toda a sua vida.

Essa imagem, é uma herança preciosa que os filhos carregam, herança que se reflectirá na maneira como serão pais mais tarde; uma herança quase que perpétua, passada de geração a geração, perpetuando a imagem, a função e a importância do pai na formação de um adulto.

A intervenção do pai com o filho deve ser o mais precoce possível. Pode começar durante a gravidez da mãe, com o apoio e cuidados que deve prestar a esta, e os laços de afectividade que aí se poderão estabelecer, (os bebes reconhecem a voz do pai e da mãe ao acabarem de nascer - Brazeltom chama a atenção que o bebé sente, vê, ouve, compreende e comunica na barriga da mãe) continuando com o momento do nascimento, onde a sua presença parece aumentar o interesse e o envolvimento posterior com a criança.

A participação do pai parece ir aumentando com a idade da criança.

O pai tem passado, ao longo dos tempos, de um papel preferencialmente disciplinar e sem qualquer envolvimento na infância precoce, para uma participação mais activa, quer na prestação de cuidados básicos, quer na de parceiro interactivo.

Estas sensibilizações da sociedade têm-se reflectido em modificações importantes inclusivamente de âmbito jurídico/legal.

O pai foi invadindo progressivamente o território anteriormente propriedade quase exclusiva da mãe e tornou-se tão competente a tratar dos filhos como ela e as diferenças entre pai e mãe são cada vez mais individuais do que de género.

O pai terá feito uma das últimas grandes conquistas do Homem, quando aceita (e com sucesso) o desafio da descoberta do bebé, esse ser que o surpreende, que o entende e com o qual pode comunicar em perfeita sintonia desde o primeiro momento da sua vida.

Actualmente fala-se muito em auto-estima, porém esquece-se de salientar o quanto o papel do pai é fundamental neste processo.

Um outro ponto que vale a pena ressaltar é que o pai fornece um modelo de conduta para o seu filho, é com ele que se aprende a ser homem. Para a menina o relacionamento com o pai permite-lhe compreender como funciona o universo masculino, e em função disto, aprende a lidar com as figuras masculinas na sua vida afectiva.

Ter uma boa relação com o pai não é exactamente ter no pai um companheiro e um amigo que encara com naturalidade todo e qualquer pedido que se faça. Pai é pai; amigo é amigo. O pai pode e deve ouvir, ajudar e ser compreensivo, mas sempre como pai, diferentemente dos amigos da escola ou do grupo. É claro que nem sempre se consegue corresponder a todas as expectativas ou suprir todas as necessidades dos filhos. Da mesma forma os filhos também não agem sempre da forma como os pais gostariam, mas estamos a falar de seres humanos e não de gente perfeita. Por isso a compreensão é a palavra - chave na relação entre o pai e os seus filhos.

Hoje podemos delinear pais mais presentes. No entanto, o ideal ainda está longe de ser real.

De uma maneira geral, a função do pai é dar apoio à estrutura familiar, usando a razão como factor preponderante, e aqueles pais que entendem as suas responsabilidades, formam juntos com a mãe a estrutura familiar para dar aos filhos, a qualidade que eles merecem.

Creio que o papel ideal do pai, é vivenciar o crescimento dos filhos, dar-lhes o apoio e segurança a que o seu papel compete, e ir soltando o laço afectivo, para que estes adquiram a confiança necessária em si e na vida.

Mas este pai, às vezes tem problemas e sérios problemas na relação com estes filhos. Muitos perdem-se nos padrões herdados de autoritarismo, outros competem com as mães nos afectos pelos filhos, outros apenas se submetem às ordens da sua esposa e outros repetem os laços das suas mães, vivendo assim na relação de pai/filho, um lado mais feminino do que o seu esperado lado masculino.

Nós estamos aqui neste momento para aprendermos a viver. Viver consigo, e com o próximo. O Papel de pai, tem tanta importância como o da mãe na estruturação de uma personalidade, pois se a natureza fez com que nenhum dos dois conseguisse sozinho esta proeza, é porque nós só evoluímos em conjunto, ou seja, mesmo individualmente, a nossa evolução é colectiva e pai e mãe têm a sua parte a fazer numa relação com os filhos. É a emoção, o afecto a razão e a disciplina tudo junto.

O pai tem o importante papel de formar o carácter do filho e dar-lhe uma referência para que este possa aplicá-la na sua vida. Para isso o pai precisa estar presente. A ausência do pai é um caso sério que, infelizmente, é muito comum.

Actualmente, existem muitas mães solteiras ou separadas que precisam criar os seus filhos, dar-lhes toda atenção e assistência necessárias. Muitas delas conseguem suprir todas estas necessidades, não só financeiras, como na formação da criança, exercendo uma função de pai e mãe ao mesmo tempo. O filho requer muito da presença paterna. Certamente, existem casos de pais que não têm o mínimo interesse na formação do carácter dos seus filhos, o que pode causar problemas e distúrbios na formação destas crianças. Todavia, é bom deixar claro que pai não é aquele que gera, mas aquele que cuida.

Existem muitos padrastos extraordinários que tomaram para si a responsabilidade e para a criança são como verdadeiros pais. E há outros que embora pais as maltratam.

Devemos conversar sempre e muito com os nossos filhos. E, se fazem algo que é errado, procurar manter um diálogo e fazê-los entender que tal atitude é incorrecta. O papel do pai com os filhos é estar presente, atento, acompanhando o seu desenvolvimento na escola, enfim, acompanhá-los no dia-a-dia. Este é um bom momento para que possamos reflectir qual é o verdadeiro papel do pai, faço uma pergunta: você, pai, tem exercido bem o seu papel? Os filhos levam para a vida a referência paterna e aplicam-na no seu dia a dia. A vida é uma sequência, o que se aprende hoje aplica-se amanhã.

Estudos constataram que as crianças em idade escolar, nas famílias em que o pai também cuidava delas quando eram pequeninas, demonstram um aumento significativo do seu QI, maior tempo de atenção e mais vontade de aprender. (Terry Brazelton).

Na nova distribuição igualitária dos papéis masculino e feminino, o homem como marido, como pai e como educador tem sido o principal alvo de transformação. ”

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

INTRODUÇÃO DE SÓLIDOS NA ALIMENTAÇÃO

por Carlos González*

Os conflitos entre a mãe o filho durante a amamentação ou uso de mamadeiras podem ser terríveis, mas ainda bem que são pouco frequentes. A introdução de alimentos sólidos é uma oportunidade nova de perigo e devemos trilhar este caminho com cuidado.
Para esclarecer, quando mencionamos “sólidos”, não nos referimos apenas aos alimentos oferecidos ao bebé com uma colher. Usaremos o termo para referir-se a qualquer comida além de leite humano ou leite modificado, mesmo água, chá ou comidas duras como bolachas.
Muitas mães encontram-se sobrecarregadas de informação a respeito de regras, grandes, pequenas e médias envolvendo alimentação de bebés. Elas recebem conselhos de pediatras e enfermeiros, algumas informações muito mais complexas e detalhadas que aquelas dadas pelos especialistas famosos, palpites de família e amigos, bem como as “conversas de comadre” que alertam sobre evitar comidas “reimosas” ou “incompatíveis”.

Incapaz de seguir todas as regras ao mesmo tempo, muitas vezes a mãe opta por rejeitar todas e fazer somente aquilo que ela quer. O risco é de que ela ignore as recomendações realmente importantes. Para evitar tal problema, vou diferenciar claramente entre as opções onde há um grau de consenso em relação à sua importância (baseadas numa combinação de normas internacionais) e aquelas sugestões que parecem úteis, embora outros profissionais possam ter opções diferentes.

Pontos Importantes

Tenha em mente os seguintes pontos, embora eles não devam ser tomados como dogma:

1. Nunca force uma criança a comer.
2. Amamente exclusivamente até 6 meses (sem papinhas, suco, água, chás, etc.).
3. Aos 6 meses, comece (sem forçar) a oferecer outros alimentos, sempre depois da mamada ao seio. Bebés não amamentados devem tomar 500ml de leite artificial por dia.
4. Introduza os alimentos um de cada vez, esperando uma semana entre comidas novas. Comece com quantidades pequenas.
5. Ofereça alimentos que contêm glúten (trigo, aveia, centeio) com precaução.
6. Quando cozinhar para o bebé, escorra bastante o alimento, evitando encher a barriga dele com água.
7. Espere até 12 meses de idade para introduzir alimentos altamente alergénicos (especialmente lacticínios, clara de ovo, peixe, soja, amendoim e muitas outras comidas que já causam alergia em membros da família).
8. Não acrescente sal ou açúcar aos alimentos.
9. Continue amamentando por 2 anos ou mais.

Em algumas situações pode-se introduzir sólidos antes de 6 meses (mas nunca antes de 4): quando a mãe trabalha, por exemplo. Ou quando a criança claramente pede para ser alimentada agarrando o alimento e colocando-o na boca sozinha.

“Oferecer” significa que, se ele quiser comer, o bebé come, mas se não quiser, não come. Muitas crianças recusam tudo menos o seio até 8 ou 10 meses, muitas vezes mais.

Alimentos sólidos são oferecidos depois da amamentação, não antes, e certamente não em substituição à amamentação. Somente assim você tem certeza de que seu bebé tomará o leite de que precisa. Acredita-se que entre 6-12 meses, o bebé precise de cerca de 500 ml de leite por dia. Claro que isso é uma média, muitos tomam mais e outros ficam bem com menos. Uma criança que toma biberão pode facilmente ficar bem com 2 biberões de 250 ml ao dia. Não é razoável, porém, esperar que um bebé amamentado tome 250 ml a cada 12 horas; os seios da mãe ficariam desconfortavelmente cheios. Faz mais sentido para bebés amamentados tomar 100 ml cinco vezes por dia, ou 70 ml sete vezes por dia. Certamente você não sabe (ou não sabia antes de iniciar os sólidos) quanto leite o seu bebé mama; mas se ele é amamentado antes da oferta de sólidos, você fica tranquila sabendo que ele mama o que precisa.

Que comidas devo oferecer primeiro?
Não importa. Não há base científica que suporte a recomendação de um alimento antes de outro. Se oferecer frutas primeiro, seguidas por cereal, depois frango, você estará seguindo as orientações da ESPGAN (Sociedade Européia de Gastroenterologia e Nutrição Pediátricas). Mas se você der frango, depois legumes e cereais por último, também estará dentro das normas.
Digamos que você decida começar com banana esmagada. Depois da amamentação, ofereça ao bebé uma ou duas colheres. No primeiro dia é sempre melhor oferecer só um pouquinho, ainda que ele aceite bem. Se ele recusar a primeira colherada, não insista, mas continue oferecendo a cada um ou dois dias. Se ele aceitar bem, você pode aumentar a quantidade a cada dia. Depois de uma semana, você pode tentar outro alimento, como batata doce ou abacate. Na semana seguinte, pode oferecer um pouquinho de arroz. Cozinhe arroz (melhor ainda, cozinhe até virar papa), sem adicionar sal. Você pode adicionar azeite (ficará mais saboroso e terá mais calorias).

Esta ordem é só um exemplo, você pode inverter, se quiser. Claro, se alguma das comidas causar diarreia ou outros sintomas, ou se o bebé rejeita veementemente, é melhor esperar algumas semanas. Se uma reacção mais severa é observada, como uma vermelhidão na pele, consulte o pediatra.

Também não é necessário introduzir uma comida nova a cada semana. Variedade significa um pouco de cereais, um pouco de legumes, um pouco de frutas – mas não é vital que o bebé coma muito de cada grupo. As maçãs não possuem nada diferente das peras e a maioria dos adultos vive bem comendo apenas dois tipos de cereal: arroz e trigo, deixando o resto para o gado. Se seu filho já come frango, você não estará acrescentando nada ao oferecer novilho. Antes de 1 ano, a introdução de muitos alimentos diferentes somente significa comprar mais bilhetes para a lotaria da alergia.

A razão principal de oferecer outros alimentos ao bebé com 6 meses (e não depois) é que alguns bebés precisam de ferro extra. Portanto, seria lógico que comidas ricas em ferro fossem introduzidas primeiro. Por um lado, há carnes com alto teor de ferro orgânico altamente biodisponível. Por outro, há legumes, leguminosas e cereais que contêm ferro inorgânico, mais difícil de ser absorvido a menos que esteja combinado com vitamina C. É por isso que muitos adultos comem a salada primeiro (rica em vitamina C), depois os grãos e legumes, com a sobremesa por último. O que é comumente feito com bebés na Espanha não é uma ideia muito boa, oferecendo -lhes somente grãos numa refeição, legumes na outra e fruta na próxima. Quando o seu bebé ingere muitos alimentos, é uma boa ideia combiná-los , oferecendo-os numa mesma refeição ao invés de fazer menus monocromáticos (“hora do cereal”).

E se ele não quer comer comida de bebé?
Não se preocupe, isso é totalmente normal. Não tente forçá-lo. Você talvez tenha sido aconselhada a oferecer sólidos antes do peito, assim ele estará com fome suficiente para comer. Isso não faz o menor sentido, uma vez que o leite materno nutre muito mais que qualquer outro alimento. É por esta razão que usamos o termo “alimentação complementar”. Sólidos não são nada mais que um complemento ao leite materno. Se seu bebé mama e depois rejeita frutas, nada acontece; mas se ele aceita fruta e depois não mama, ele sai perdendo. Mais fruta e menos leite é uma receita para perda de peso.

O mesmo vale para leite artificial. Lembre-se de que se você não está amamentando, você precisa dar ao bebé meio litro de leite diariamente até que ele tenha 1 ano de idade. Não é bom negar o leite para que ele coma mais.”

Do livro My Child Won’t Eat
*Médico pediatra, pai de 3 filhos amamentados até depois dos 2 anos, fundador e presidente da Asociación Pro Lactancia Materna

A Angústia da Separação


Quando o bebé chega aos seis ou oito meses de idade, começa a operar a angústia da separação que, geralmente, continua a manifestar-se de uma forma ou de outra até os cinco anos. Em breve o bebé começa a sentir pânico quando não vê sua mãe. É preciso levar a sério a intensidade dos seus sentimentos. A mãe é o seu mundo, é tudo para o bebé, representa a sua segurança.

Um pouco de compreensão.
O bebé não está “chatinho” nem “pegajoso”. O sistema de angústia da separação, localizado no cérebro inferior está geneticamente programado para ser hipersensível. Nos primeiros estágios da evolução era muito perigoso que o bebé estivesse longe da sua mãe e, se não chorasse para alertar seus pais do seu paradeiro, não conseguiria sobreviver. O desenvolvimento dos lóbulos frontais inibe naturalmente esse sistema e, como adultos, aprendemos a controlá-lo com distracções cognitivas.

Se você não está, como ele sabe que você não foi embora para sempre?
Não lhe pode explicar que vai voltar logo, porque os centros verbais do seu cérebro ainda não funcionam. Quando ele aprender a engatinhar, deixe-o segui-la por todas as partes. Sim, até ao banheiro. Livrar-se dele ou deixá-lo no parque não só é muito cruel, como também pode produzir efeitos adversos permanentes. Ele pode sentir pânico, o que significa um aumento importante e perigoso das substâncias stressantes no seu cérebro. Isso pode resultar numa hipersensibilização do seu sistema de medo, o que lhe afectará na sua vida adulta, causando fobias, obsessões ou comportamentos de isolamento temeroso. Pouco a pouco, ele vai sentir-se mais seguro da sua presença na casa, principalmente quando começar a falar.

A separação aflige as crianças tanto quanto a dor física.
Quando o bebé sofre pela ausência dos seus pais, no seu cérebro activam-se as mesmas zonas que quando sofre uma dor física. Ou seja, a linguagem da perda é idêntica à linguagem da dor. Não tem sentido aliviar as dores físicas, como um corte no joelho e não consolar as dores emocionais, como a angústia da separação. Mas, tristemente, é isso o que fazem muitos pais. Não conseguem aceitar que a dor emocional de seu filho é tão real como a física. Essa é uma verdade neurobiológica que todos deveríamos respeitar.

As separações de curto prazo são prejudiciais.
Alguns estudos detectaram alterações a longo prazo do eixo HPA do cérebro infantil devido a separações curtas, quando a criança fica aos cuidados de uma pessoa desconhecida. Esse sistema de resposta ao stress é fundamental para nossa capacidade de enfrentar bem o stress na vida adulta. É muito vulnerável aos efeitos adversos do stress prematuro. Os estudos com mamíferos superiores revelam que os bebés separados de suas mães deixam de chorar para entrar num estado depressivo. Param de brincar com os amigos e ignoram os objectos do quarto. À hora de dormir há mais choro e agitação. Se a separação continuasse, o estado de auto-absorção do filho agravava-se e tal conduziria à letargia e a uma depressão mais profunda.

Pesquisas realizadas nos anos setenta demonstraram que alguns bebés cuidados por pessoas desconhecidas durante vários dias entravam num estado de luto e sofriam de um trauma que continuava a afligir-lhes anos depois. Os bebés estudados estavam sob os cuidados de adultos bem-intencionados ou em creches durante alguns dias. Os seus pais iam visitá-los, mas basicamente, estavam em mãos de adultos que eles não conheciam. Um menino que se viu separado da sua mãe durante onze dias deixou de comer, chorava sem parar e atirava-se ao chão desesperado. Passados seis anos, ele ainda estava ressentido com sua mãe. Os pesquisadores observaram a inúmeras crianças que haviam sido separadas de seus pais durante vários dias e se encontravam em estado de ansiedade permanente. Muitos passavam horas imóveis, olhando a porta pela qual havia saído sua mãe. Aquele estudo, em grande parte gravado em filme, mudou no mundo inteiro a atitude em relação às crianças que visitam suas mães no hospital.

Mas, não é bom o stress?
Algumas pessoas justificam a sua decisão de deixar o bebé desconsolado como uma forma de “inoculação de stress”. O que significa apresentar ao bebé situações moderadamente stressantes para que aprenda a lidar com a tensão. Aqueles que afirmam que, os bebés que choram por um prolongado período de tempo, só sofrem um stress moderado estão enganandos.

Tradução de um trecho do capítulo O Choro e as Separações do livro The Science of Parenting de Margot Sunderland. Esse livro foi premiado em 2007 pela Academia Britânica de Medicina como o melhor livro de medicina popular. Não é um simples livro de conselhos para pais, mas sim um livro que, baseado em mais de 800 experimentos científicos, explica o que a ciência nos diz sobre como os diferentes tipos de criação afectam os nossos filhos.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Sling

             

Adoro andar com a minha Filhota no Sling. É simplesmente delicioso. Comprei um carrinho, mas nunca o uso, porque a sensação de proximidade com o Sling é fantástica. Para quem tem receio do sling, também podem optar pelo Marsúpio. O Sling é mais prático para colocar e tirar e tem várias posições.

Vantagens para o bebé

Carinho: recebe mais ternura por estar mais próximo dos pais. O uso do sling promove a criação de laços com o bebé, a sensação de proximidade e os sentimentos de confiança. Também por isso se recomenda o seu uso com bebés prematuros, pois estes têm uma necessidade ainda maior de contacto físico com a mãe. Embalo: ajuda a embalar e a acalmar o bebé quando está agitado. Os bebés que são transportados ao colo regularmente não tendem a desenvolver o medo da perda ou a solidão, pelo que choram menos e tornam-se independentes mais cedo.
Actividade: promove a interacção por estar ao nível dos adultos. Quando está acordado tem oportunidade de observar o ambiente que o rodeia quer em casa, quer na rua.
Confiança: facilita a adaptação a ambientes e pessoas estranhas, por estar no colo habitual. Evita assim a ansiedade comum nestas situações.
Aprendizagem: um bebé calmo e confiante está mais disponível para aprender.

Vantagens para os pais

Mobilidade máxima: permite passeios em qualquer piso ou ambiente. Quer se esteja na cidade no meio de uma multidão ou no meio do campo, a irregularidade do terreno deixa de ser um problema, ao contrário do que sucede com os carrinhos de bebé. Pelo mesmo motivo, com o sling é mais fácil caminhar na praia, andar de metro ou mesmo ir de férias com pouca bagagem e o máximo de mobilidade.
Mãos livres: o facto de permitir que uma ou as duas mãos fiquem livres é uma das principais vantagens para os pais e é a que faz do sling o perfeito aliado de quem tem filhos mais velhos.
Ergonómico: extremamente confortável. O peso do bebé incide não só no ombro mas também nas costas, barriga e anca, sendo assim distribuido uniformemente pelo tronco.

                              

Elegante: de aspecto simples e distinto, pode ser combinado com as suas roupas como qualquer outro acessório de moda. Na maior parte dos tipos de porta-bebé, a pessoa que o usa tende a desaparecer atrás dele. De todos os porta-bebés, o pouch sling - aquele que vendemos - é o mais subtil e elegante. Estão disponíveis tecidos de várias cores e padrões para combinar com o seu guarda-roupa (para transportar um bebé não tem necessariamente de se andar coberto de ursinhos e coelhinhos!).
Versátil: o mesmo sling pode ser utilizado desde recém-nascido até cerca dos dois anos, em várias posições.
Discreto: o bebé pode ser amamentado no sling com discrição.
Prático: uma só peça de tecido sem molas, argolas, fivelas ou velcro. Fácil de colocar e retirar o bebé. O sling é de fácil manutenção: é só lavar na máquina a frio e secar ao ar para evitar que os tecidos 100% algodão encolham.
Volume compacto: pode ser dobrado e guardado em qualquer mala de mão ou saco de mudas quando não estiver a ser usado.
Inteligente: um porta-bebés que reune todas estas vantagens, que um carrinho nunca sonharia ter, e que ainda custa 8 a 10 vezes menos... é uma compra inteligente.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Sacos para bebé



Mantas pesadas, colchas fofas em lã, almofadas e edredões têm sido associados ao síndrome de morte súbita do lactente, ou SMSL e, de preferência, não deverão ser utilizados em bebés com menos de 1 ano de idade.


O que utilizar então?


O saco de bebé (ninho) - sobretudo no Inverno ou nas noites mais frias - uma espécie de saco-cama concebido para manter o bebé quente, mas sem prender os movimentos. Há a versão sem mangas e com mangas amovíveis. Em ambos os casos os braços podem mover-se livremente. Além disso, tem um fecho no fundo e, assim, — ao contrário de uma manta solta — não pode ser afastado a pontapé nem deslizar para cima da cabeça do bebé (factor de risco de SMS).

Os da Zara Home e dos da Verbaudet são práticos, acessíveis e muito fofos.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O problema das alergias - Dr. Carlos Gonzalez

O Dr. Carlos Gonzalez é um fantástico pediatra Espanhol, conhecido mundialmente pelo trabalho desenvolvido. Este excerto é tirado do livro "Mi niño no me come". Recomendo vivamente este autor e um outro livro que se intitula de "Besame mucho". Foi pena eu só ter lido este texto quando ela fez 6 meses e não aos 2 meses…

"O problema das alergias

Outra razão para uma criança se recusar a comer é que determinados alimentos a fazem sentir-se mal. A alergia alimentar pode ser perigosa. A experiência de Isabel mostra-nos que a dificuldade em reconhecer os primeiros sintomas pode levar ao desmame precoce e também ao agravamento do problema:

"Eu sou mãe de uma bebé de 7 meses que era amamentada até agora. No começo, tudo estava a correr muito bem e se dependesse de mim ela seria amamentada por muito mais tempo. Parecia que ela queria o leite que fluía rápido, mas mamava 5 minutos e começava a chorar. Amamentar passou a ficar muito difícil nos últimos três meses. Mas eu tinha certeza de que era o melhor para ela e insistia na amamentação, até que eu não pude mais mantê-la. Decidi, então, por desmamá-la. Eu achava que a amamentação deveria ser prazeirosa para mãe e bebé, mas eu não podia ver mais a minha filha a sofrer em cada mamada. Quando eu introduzi o primeiro biberão de fórmula, fiquei assustada ao ver as manchas vermelhas que surgiram no seu rosto após cinco minutos. Eu tive que continuar a amamentar a minha filha por mais algum tempo enquanto o médico realizava alguns exames de alergia."

Os testes, como era esperado, deram positivos. Os sintomas que a filha de Isabel apresentava durante a amamentação eram uma clara indicação de uma alergia ainda não diagnosticada. Sem a percepção do que deveria ser feito, quando o diagnóstico foi confirmado, ninguém explicou a Isabel a razão do comportamento de sua filha durante a amamentação.

Muitas mães dizem que seus bebés "rejeitam o peito". Um bebé que mamava bem há alguns dias ou semanas, de repente passa a mamar por 5 minutos e então começa a chorar. Isto pode ser atribuído a duas causas diferentes:

A) Um bebé começa a mamar de forma feliz. Alimenta-se, ficando satisfeito, em cinco minutos ou menos, pára e fica saciado. Se a mãe achar que esse bebé precisa mamar pelo menos 10 minutos, ela achará que esse bebé não mamou o suficiente, e tentará amamentá-lo mais. O bebé vai ficando chateado por ser forçado a comer.

B) Um bebé começa a mamar mais ou menos feliz, mas mostra-se desconfortável, até que deixa o peito a chorar. Algumas mães dirão: "É como se o leite magoasse o seu estômago, então ele chora de dor." Uma excelente explicação para o que realmente está a acontecer.

A primeira situação é totalmente normal, e corresponde a uma diminuição na necessidade da alimentação que acontece à medida que a criança cresce (como explicarei mais tarde, ver "A crise dos 3 meses"). Não há nada a fazer, além de reconhecer que a criança está satisfeita e não insistir mais no peito. Se o bebé é forçado a mamar no peito, é bem provável que com o passar das semanas ele desenvolva alguma aversão ao peito e pode começar a chorar até mesmo antes de o peito ser oferecido, o que ficará mais difícil distinguir a situação A da B. Mas se pensar no passado, poderá ser capaz de se lembrar como as coisas começaram e descobrir que se trata de um caso como a situação "A".

Na segunda situação, está claro que a causa é alguma alergia ou intolerância a algum alimento ou medicamento que a mãe está ingerindo. E quase sempre o culpado é o leite de vaca, embora também possa ser peixe, ovos, soja, frutas cítricas ou outros alimentos. Isto foi o que aconteceu com a filha de Isabel. Se, naquele momento, Isabel tivesse eliminado todo leite de vaca da sua dieta, ela teria poupado muitas lágrimas e sofrimento, a reacção alérgica que sua filha teve com o primeiro biberão, o desnecessário desmame, e todas as dificuldades de alimentar um bebé alérgico com fórmulas hipoalergénicas (que além do alto custo, tem gosto terrível, o que faz o bebé recusá-las muitas vezes).

Porque a filha de Isabel choraria após 3 minutos no peito? Algumas proteínas do leite de vaca (assim como as proteínas de qualquer alimento que a mãe coma) podem passar para o leite. É claro que a quantidade é pequena e é raro que haja uma reacção generalizada, como as manchas vermelhas espalhadas pelo corpo, como aconteceu com o primeiro biberão. Geralmente, a reacção ocorre apenas onde há contacto: no esófago, no estômago e no intestino da criança. Em poucos minutos há uma inflamação e um desconforto nesses lugares. E a mãe não verá nada, mas a criança sentirá, porque dói!

Se seu filho apresentar sintomas parecidos com os da filha de Isabel e durante a amamentação começar a chorar, como se estivesse a doer (e especialmente se observar eczemas ou irritações na pele), deverá fazer um teste para a alergia ao leite de vaca. Para fazer isso, a mãe deve manter a amamentação e remover todo leite e derivados e todos os produtos que levam leite e derivados de sua dieta. Torne-se uma especialista em leitura de rótulos e elimine qualquer coisa que contenha leite na composição. Pães, algumas sobremesas, chocolates, e algumas comidas processadas, margarinas, etc.

Você terá que esperar de 7 a 10 dias sem comer ou beber qualquer produto com leite de vaca.
O resultado não será imediato; as proteínas do leite de vaca já foram encontradas no leite materno até 5 dias após ter cessado totalmente o consumo de leite na dieta da mãe. Não substitua o leite de vaca por leite de soja, uma vez que este é tão alergénico quanto o primeiro.

Se após 10 dias, os sintomas de seu filho não desapareceram, ele provavelmente não é alérgico ao leite de vaca ou é alérgico a outros alimentos também. Você pode tentar retirar da dieta peixe e ovos. Se os sintomas não estão melhorando e você não deseja perder muito tempo, elimine leite e derivados, ovos, peixe, soja, e qualquer outro alimento que você suspeite e depois adicione um de cada vez de volta à dieta. Algumas crianças são alérgicas a dois ou mais itens e eles só melhoram quando a mãe elimina todos da sua dieta ao mesmo tempo. Uma vez conheci um bebé que era alérgico ao leite de vaca e a pêssegos. A mãe notou que quando parou com o leite de vaca, mas começou a tomar suco de pêssegos, seu filho não melhorava.

Se os sintomas melhoraram após retirar leite de vaca e derivados da sua dieta, pode ter sido apenas coincidência. Reintroduza o leite de vaca para ver o que acontece. Mas não faça isso devagar, uma vez que os sintomas possam ser leves e você não perceberá. Beba dois copos de leite em um dia e se nada acontecer, seu filho não é alérgico ao leite. A melhoria foi coincidência e é melhor deixar isso para lá. Algumas vezes, algumas mães são advertidas a eliminarem leite e derivados de sua dieta, como se o leite de vaca fosse o culpado de todos os choros, eczemas, e narizes entupidos e a mãe perde meses ou anos sem beber nada de leite desnecessariamente.

Se após a reintrodução de leite de vaca, seu filho apresentar os mesmos sintomas, você tem a prova da alergia. Esteja pronta para amamentar o maior tempo possível, preferencialmente até 2 anos ou mais, e não dê ao seu filho nada de leite ou derivados. Se a criança é muito alérgica, e a menor quantidade através do leite materno já causa problema, dar leite directamente ao bebé, pode trazer reacções muito mais severas.

Nem todas as crianças alérgicas são tão sensíveis ao ponto de reagirem sempre a qualquer alimento que a mãe coma que leve leite de vaca ou outro alergeno. Para determinar a alergia é muito importante ser bastante restrita na fase inicial, para que se possa ter certeza. Mais tarde, talvez você poderá consumir alguns produtos sem que seu filho reaja negativamente. É possível que quanto maior o controle com que sua mãe faça da dieta, mais rápido a criança melhore da alergia, embora isso possa não acontecer sempre.

Se você acha que o leite de vaca e derivados estão afectando seu filho, converse com seu pediatra; ele poderá fazer outros testes para alergia. E não tente dar ao seu filho qualquer produto que contenha leite ou derivados até nova ordem. Avisar os membros da família e a criança pode facilitar. Crianças costumam melhorar da alergia ao leite de vaca, geralmente, por volta dos 18 meses, mas alguns casos de reintrodução dos lacticínios podem precisar de orientação médica, e algumas vezes serem feitas até em hospital."

Do livro My Child won´t eat, do Dr. Carlos González.

domingo, 25 de julho de 2010

Refluxo e Proteína do Leite de Vaca (PLV)

Uma parte significativa dos casos de refluxo em bebés tem como causa a alergia à proteína do leite de vaca. Se o caso for de alergia, o tratamento padrão para o refluxo não funciona.

Por isso, a Sociedade Americana de Gastroenterologia Pediátrica e Nutrição (NASPGHAN) recomenda que nos casos de refluxo se faça um teste, por duas semanas, de retirada da proteína do leite da dieta.

Se o bebé melhorar do refluxo nesse período, possivelmente o refluxo é causado por sensibilidade ao leite de vaca. Reintroduza o leite em seguida, para verificar se realmente há uma relação entre o consumo de leite e o refluxo.

Se observar que o refluxo é provocado ou piorado pelo consumo de leite de vaca, converse com o seu pediatra para avaliar o diagnóstico e o tratamento. O período total de desintoxicação do leite é de quatro a oito semanas.

Infelizmente os exames de alergia em bebés pequenos não são precisos.

Além disso, existe um tipo de alergia em que os efeitos só são sentidos algum tempo depois do consumo do alimento e que não é detectável por exames.

A forma mais confiável de se diagnosticar alergia/sensibilidade é a observação das reacções da criança ao consumo do alimento.
Se você amamenta exclusivamente, observe se o bebé melhora com a restrição da proteína do leite da sua dieta. A proteína do leite de vaca passa para o leite materno. É preciso cortar leite e derivados da alimentação da mãe.

"É muito importante restringir completamente a ingestão de proteína do leite de vaca, o que inclui iogurtes, pão de queijo e qualquer coisa que contenha leite em pó, soro de leite ou caseína em sua composição. Evitar derivados e qualquer produto com derivados.”

Leia os rótulos de tudo.

O teste de exclusão do leite não funciona sem a retirada total. Sintomas adicionais (além do refluxo) de alergia a leite de vaca incluem: diarreia com ou sem sangue, prisão de ventre crónica, dermatite atópica, urticária e, mais raramente, bronquite e asma.

Pode-se estudar a possibilidade de alergia a outros alimentos.

A alergia a que nos referimos aqui é à proteína do leite, comum em bebés pequenos, que é completamente diferente da intolerância a lactose, que é raríssima em bebés menores de um ano."

A minha história parte 3

Fomos encaminhados para uma consulta externa no Hospital São João de Gastroenterologia Pediátrica. Pelo menos, a minha filha iria ser seguida pelos melhores médicos desta área. A nossa filhota foi medicada e apesar de ser um pouco aversa a medicamentos, tive que aceitar que era o melhor para ela.

Efectivamente durante a primeira semana ela melhorou, mas passados alguns dias, mesmo com a medicação ela voltou aos mesmos sintomas. E porquê?

Uma resposta simples, mas tão difícil de alcançar. A Mel é alérgica à proteína do leite de vaca, que passa através do leite materno. Eu durante uma semana suspendi o consumo de tudo o que continha leite e após esse período voltei a reintroduzir. Nessa reintrodução, a reacção foi péssima. Mas porque é que nenhum pediatra me tinha dado esta dica? Porque é que fui eu que pesquisando tive de fazer a experiência?

Na segunda consulta, fomos consultadas pelo Dr.Jorge Amil, um excelente profissional, que transmite segurança e que confirmou o diagnóstico.

Não é fácil retirar tudo o que contenha leite na dieta, mas por um filho tudo se faz. Sabia que fiambre, atum em lata ou gelatina são alimentos proibidos? Sim, todos estes e muitos outros contêm soro de leite em pó.

Depois do leite de vaca, retirei também a soja, o ovo, o arroz e espero ter parado por aqui… E que a minha Mel fique bem…

Sonho um dia voltar a amamentar através do peito e não de biberão e sentir prazer em fazê-lo…

Regras

Eu tinha tudo estipulado, que tola fui eu. Ia amamentar até aos seis meses, o meu bebé iria para o quarto dela aos quatro meses, ia adormecer sozinha no berço e mais mil e quinhentos pressupostos estúpidos.

Mas felizmente fui Mãe e quero amamentar (mesmo com a máquina) até não poder mais, quero adormecer com a minha bebé nos meus braços e mais mil e quinhentas coisas feitas com amor e carinho…

E hoje já não respondo a quem me dita regras, que para mim, não fazem qualquer sentido.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Os Benefícios de Dormir com os Pais

Ensinaram-nos que os bebés devem dormir no seu berço e os mais crescidos na sua cama. Que dormir com os pais é um péssimo hábito, tornando-os dependentes e mimados. Que devemos ensinar os nossos filhos a dormir a noite inteira, sozinhos nos seus quartos. Aliás, é a pergunta que mais nos fazem quando temos um bebé: «Já dorme a noite inteira?»

É cultural esta tendência para tornar desde cedo as crianças autónomas dos pais. Uma necessidade para quando se tem de trabalhar o dia inteiro longe dos filhos. Noutras culturas, não é assim. A autonomia conquista-se gradualmente, não é imposta, não é «ensinada». Por isso, há quem defenda que o sono seja partilhado, ou seja, que as crianças possam dormir com os pais enquanto isso lhes der segurança e conforto. Em inglês, chamam-lhe co-sleeping, uma prática que parece ter cada vez mais adeptos, segundo estudos realizados nos EUA. Contra a corrente, são poucos os pediatras ou especialistas em desenvolvimento infantil que o defendam. Mas já existem.

No site do reconhecido pediatra William Sears, foi publicado um artigo que aponta os principais benefícios, a nível de saúde e de desenvolvimento, do co-sleeping. Na sua opinião não há um sítio correcto para o bebé dormir. São os pais que têm de descobrir o que é melhor para o seu bebé. Para que saiba que há diferentes formas de pensar e actuar, deixamos-lhe um resumo dos benefícios apontados:

Os bebés dormem melhor
Os bebés que dormem com os pais adormecem mais facilmnente e dormem melhor. Adormecer nos braços da mãe ou do pai é um prazer e dá ao bebé a noção de que o sono é bom e desejável. Por outro lado, quando está na transição do sono profundo para o sono leve, o que o faz acordar várias vezes durante a noite, a presença dos pais, fá-lo sentir-se seguro para voltar a entrar no sono profundo. Ou então talvez precise de mamar um bocadinho e rapidamente voltar a dormir. Nem a mãe nem o bebé chegam a acordar completamente, ou seja, descansam mais e melhor.

As mães dormem melhor
Mães e bebés entram em sincronia nos seus ritmos de sono. Há mães que relatam como acordam exactamente antes de o seu bebé abrir os olhos. Pelo contrário, mães que dormem em quartos separados relatam como acordam abruptamente com o choro do bebé. A mãe não acorda aos primeiros movimentos do bebé e este tem de acordar completamente e chorar bem alto para que o ouçam. Depois de o bebé voltar a dormir a mãe está completamente acordada e tem muitas vezes dificuldade em voltar a adormecer. Perde muito tempo de sono e de manhã está exausta. Muitas noites assim, com despertares abruptos e repentinos de estados de sono profundo, levam à situação em que muitos pais se encontram de privação do sono e exaustão.

Facilita a amamentação
As mães que amamentam sabem que dormir com os bebés é a forma mais fácil de o fazer. Os bebés voltam a entrar facilmente no sono profundo depois de mamar ¿ nem chegam a acordar - e as mães, não tendo de sair da cama, levantar-se, também ficam menos despertas. Tal como os bebés voltam a entrar facilmente no sono.

Mães que sentem dificuldades na amamentação durante o dia, podem resolvê-los dormindo com os seus bebés. Sears acredita que os bebés sentem as mães mais descontraídas e que produção das hormonas envolvidas na produção do leite é mais eficaz quando a mãe está descontraída ou mesmo adormecida.

Compensa o tempo em que estão separados
Trabalhando o dia inteiro longe dos bebés, dormir com eles de noite é uma forma de voltarem a estar unidos e compensarem o tempo em que não puderam tocar-se durante o dia. A mãe descontrai mais e o bebé também.

Os bebés crescem mais
Depois de trinta anos de observação em consultório de famílias que praticam o co-sleeping, Sears afirma que os bebés crescem mais não apenas em tamanho, mas atingindo todo o seu potencial de crescimento, tanto a nível físico, como emocional e intelectual. Talvez seja o toque, pele com pele, que estimula o desenvolvimento. Ou talvez as mamadas extra... já que estes bebés mamam mais do que os que dormem em quartos separados.

Reduz os riscos de Síndrome da Morte Súbita
 
A segurança é uma das razões que leva muito pais a deitar o bebé no berço ou noutra cama. Porque há o medo de sufocar o bebé. Mas os mais recentes estudos apontam para o contrário: bebés que dormem com os pais estão menos sujeitos à Síndrome da Morte Súbita. As excepções são: pais fumadores ou que consomem bebidas alcoólicas.
Uma opção para quem quer ter o bebé junto a si de noite, mas com mais espaço é baixar uma das grades da cama do bebé e juntá-la à cama de casal. Assim é fácil tocar no bebé e puxá-lo para si para mamar, mas existe mais espaço e o sono pode ser mais tranquilo.

Bebés e pais ficam mais ligados
É outras das observações do pediatra. Na sua base de dados «Crianças que crescem bem, o que fazem os pais» o co-sleeping é muito frequente. A vinculação torna-se mais forte e evidente.


Para terminar, o especialista alerta para o facto de o co-sleeping não ser uma regra. Tem benefícios mas é apenas uma opção. Aos que têm medo que os bebés fiquem tão habituados que depois nunca mais queiram ir para o quarto deles, diz: «Os bebés vão deixar a cama dos pais naturalmente tal como deixam de mamar. Normalmente isso acontece por volta dos dois anos.
Para saber mais: askdrsears.com


Dicas para Grávidas

- Tome ácido fólico todos os dias, idealmente 6 meses antes de engravidar, uma vez que evita mal-formações;

- Faça exercício físico, para facilitar o parto;

- Faça uma massagem para grávidas todos os meses, isso transmite serenidade ao bebé. Mas cuidado onde a faz. Sugiro o Porto Palácio: http://www.hotelportopalacio.com/pt/hotel/index.html?area=spa

- A partir do sétimo mês ouça música clássica. Quando o seu Bebé nascer coloque a mesma música e verá que ele relaxa automaticamente;

- Consuma produtos com Omega3, como a sardinha, ou tome um suplemento, pois evita as alergias em bebés… (se eu soubesse disto antes!)

- Evite apanhar sol em especial na cara e na barriga. As manchas na gravidez são mais comuns nas mulheres que se expõe ao sol. Uma boa técnica é usar um top na praia que cubra a barriga e um protector solar de índice 50 para a cara;

- Se optar por fazer a ecografia em 3D, não a faça cedo demais, espere pelas 28 semanas, será muito mais emocionante;

- Opte por uma alimentação saudável e coma no mínimo de 3 em 3 horas;

- Se pretender comprar uma almofada que a ajude a dormir, quando a barriga for maior, compre uma de amamentação, porque terá mais utilidade futura;

- Reduza o consumo de sal e gorduras;

- Quando estiver grávida, possivelmente o Seu ginecologista deverá sugerir-lhe que ande com uma cinta que sustente a barriga. A maioria delas é desconfortável e pouco higiénica. Mas existem umas da Anita Maternity, que não têm cueca, mas que também não são faixas. Consulte e verá a diferença: http://www.anita.com/pt-pt/Kollektionen,Anita_maternity?PSID=e4e8d749e4946ea8ad9c5c46c019ca79

Menina ou Menino?

Sabia que tem mais probabilidades de ter uma menina se “praticar” no início do ciclo, e um rapaz no ponto alto do período fértil? Isto não é uma crença, mas científico.

A mulher carrega cromossomos sexuais femininos (XX), já o homem traz ambos (XY) no seu espermatozóide, ou seja, ele é responsável por definir se nascerá um menino ou uma menina. Por isso, é universalmente difundida a expressão 'o homem determina o sexo.

Contudo, os espermatozóides com carga genética masculina são diferentes daqueles com carga feminina. O primeiro é mais rápido, leve e fraco em relação ao outro, que é resistente, porém mais pesado e lento. Com essas informações, ao longo dos anos, os médicos começaram a identificar factores que facilitariam a chegada de um deles até o óvulo, influenciando o sexo.

É o que tem demonstrado, por exemplo, a experiência do ginecologista e obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein José Bento de Souza, que esclarece: "É claro que não é uma ciência exacta e sim uma predisposição. Mas existe sim uma relação clínica, apontando hipóteses de acerto de 80% a 85%".

Assim sendo, se a intenção é ter um menino, tenha relações sexuais no dia da sua ovulação (veja em baixo como pode saber quando está no período da ovulação). Isso porque neste período a mulher produz um ou mais óvulos prontos para a fecundação. Desta forma, o espermatozóide com carga masculina, que é leve e rapido, tem maiores hipóteses de alcançá-los primeiro.

Se desejar engravidar de uma menina, é aconselhável ter relações sexuais dois ou três dias antes da ovulação e não nos dias seguintes. Enquanto os espermatozóides masculinos morrem no meio do caminho, os femininos são capazes de resistir até que consigam atingir os óvulos. Até nisto as “mulheres” são mais persistentes que os “homens”!!!

Agora com 8 semanas já se pode saber o sexo do bebé, basta uma análise ao sangue.

Como é que sei que estou no período de ovulação?
Em geral, a ovulação se inicia no meio do ciclo menstrual, por volta do 14º dia, contando a partir do primeiro dia da menstruação. Mesmo assim, ela pode variar de acordo com o ciclo de cada mulher e é difícil de ser identificada com precisão. Conheça a pista de como saber a data certa:

- Mudança do muco cervical (secreção da vagina). Quando a mulher está prestes a ovular, a secreção expelida pela vagina aumenta e fica mais pegajosa e fluida. A cor apresenta um tom esbranquiçado. Também é possível sentir dor nas laterais do abdómen.

Refluxo


Sintomas de refluxo:

- Vómitos (esse é o principal, mas não o único). Existe refluxo oculto;

- O bebé arqueia-se para trás depois de mamar;

- Mama apenas poucos minutos e começa a chorar;

- Quer mamar no peito muitas vezes, porque o LM alivia a azia causada pelo refluxo;

- Recusa-se a comer, ou parece estar com muita fome, come pouco e pára;

- Soluços;

- Tosse persistente, problemas respiratórios persistentes;

O refluxo pode ser oculto, ou seja, a criança não vomita, mas o alimento volta até parte do esófago, causando azia, dores, falta de apetite. Pode acontecer de parte do líquido ser aspirada, o que causa pneumonias, otites, problemas respiratórios recorrentes.

Sono perturbado, com engasgos e o bebé contorcendo-se, é um traço comum de muitos bebés com refluxo. Estes sintomas podem aparecer em conjunto ou isoladamente.

Posições que melhoram o refluxo

Antes e depois da alimentação

Manter o tronco do bebé numa posição verticalizada num ângulo superior a 30º, cerca de 30 minutos depois das refeições do bebé, a gravidade ajudará a manter o alimento no estômago. Adicionalmente, depois da amamentação mantenha também o bebé calmo e livre de grandes movimentos. Se alimentar o seu bebé com LA prolongue um pouco mais os 30 minutos, pois a fórmula é de digestão mais lenta que o leite materno.

Cadeirinha do bebé

Algumas cadeirinhas de bebé de usar nos carros não evitam que o bebé se mexa muito, colocando por vezes pressão adicional na barriga com os cintos, aumentando o refluxo. Quando comprar uma cadeirinha destas escolha uma que permita reclinar o bebé o suficiente para que não se consiga debruçar sobre o próprio estômago, nem que permita ao bebé balançar muito entre a cadeirinha.

Posição para dormir

Tal como depois do bebé ser alimentado é necessário colocá-lo numa posição verticalizada, durante o sono o mesmo acontece. Uma das formas de evitar o refluxo durante o sono do bebé é colocá-lo com o tronco ligeiramente elevado, para isso poderá usar uma rampa anti-refluxo para que ele consiga ter um sono de qualidade. Também pode encontrar uma almofada/rampa especial no D´Barriga http://www.dbarriga.pt/


Para evitar o Síndrome de Morte Súbita é recomendado que o bebé durma de barriga para cima. Para um bebé com refluxo esta posição para dormir pode perfeitamente ser adquirida desde que seja utilizado um acessório especial que faça com que o bebé durma num ângulo igual ou superior a 30º. Quanto mais elevado estiver o tronco do bebé melhor. Contudo muitos bebés que sofrem de refluxo preferem dormir de barriga para baixo - também numa posição elevada -, reduzindo consideravelmente os episódios de refluxo. Converse com o seu médico acerca desta possibilidade e antes de a experimentar, ele dir-lhe-á se é ou não aconselhada ao seu bebé, pois um bebé que sofra de refluxo tem uma percentagem maior de SMS.

Durante o dia

Idealmente, durante o dia, deve andar com bebé num sling que lhe permita ter o bebé ao colo e ao mesmo tempo as mãos livres para trabalhar. O Sling para além destes benefícios, aumenta também a proximidade mãe-filho. Mas mais tarde escreverei um post só sobre isto.

Para além de ser uma boa medida, ajudará o bebé a relaxar com os movimentos ritmados do passeio e logo ele chorará menos: um bebé que seja mais vezes transportado chora menos, diminuindo o refluxo.

Alimentação para melhorar o refluxo

Comida do bebé

A melhor opção alimentar para um bebé que sofra de refluxo é certamente o leite materno, pois é menos hipoalergénico do que a fórmula, e mais digestível. Se amamentar não for uma opção, deve trocar diversas vezes a fórmula com que alimenta o bebé. Caso o bebé sofra de intolerância ou de alergia à lactose, utilizar fórmula à base de lactose poderá piorar muito o refluxo. Informe-se com o pediatra do bebé acerca do tipo de alimentação possível neste caso.

Engrossar a fórmula

Se alimenta o seu bebé a fórmula ou como no meu caso de leite materno no biberão, saiba que alguns bebés que sofrem de refluxo respondem muito bem se a fórmula for engrossada, com cereal. O peso do cereal adicionado à fórmula ajuda o alimento a permanecer mais tempo no estômago, evitando que ande em movimento. Se o bebé tiver dificuldade em ganhar peso esta opção será benéfica pelo facto de adicionar mais calorias à alimentação. É recomendado cerca de 1 colher de sopa de cereais por cada 30 ml. Contudo muitos bebés podem não ter uma boa reacção ao arroz, que é usualmente a primeira opção tentada, por isso optar por aveia ou amido de milho, pode ser uma melhor opção. No entanto, antes de tomar qualquer destas medidas alimentares deve de as discutir com o pediatra para que ele verifique se são opções viáveis para o seu bebé. Existe um espessante da Milupa à base de farinha de Alfarroba que também é fantástico – Nutriton e vende-se em farmácias.

Hora da refeição

A forma, a quantidade e a hora da refeição do bebé podem fazer muita diferença na melhoria ou não do refluxo. Refeições mais pequenas e em maior quantidade são essenciais para diminuir o refluxo do bebé. Não alimentar o bebé logo antes de ir dormir também é importante, especialmente se ele não dormir bem.

Amamentação

Se está a amamentar saiba que a sua alimentação também poderá contribuir para o refluxo do bebé. Faça uma alimentação livre de cafeína, produtos à base de lactose, alimentos ricos em gorduras, condimentos picantes, alimentos com muita acidez. Elimine estes alimentos e depois, pouco a pouco (cerca de 1 por semana) vá adicionando-os à sua dieta e vá tentando notar as reacções provocadas pelo bebé, desta forma saberá realmente quais os que poderão ser mais responsáveis pelo refluxo dele.

Arrotar

Sempre que estiver a alimentar o bebé deve de parar diversas vezes e colocá-lo a arrotar. Isto é o ideal, mas com a minha pequenita não funciona. Se a coloco a arrotar não retoma a mamada.

Dê-lhe a chucha

Chuchar numa chucha poderá aumentar a produção de saliva, e como a saliva é alcalina, ajudará a neutralizar o ácido no estômago.

Roupas para o bebé que sofre de refluxo

Evite roupas justas

Especialmente as peças de roupa apertadas na cintura não são de todo aconselhadas para um bebé que sofra de refluxo. Um bebé com uma roupa apertada na cintura aumentará a pressão no esfíncter inferior do esófago. Certifique-se sempre que as roupas do bebé são largas na zona da barriga.

A minha história – 2ª parte

A minha história continua.. A Mel mesmo com o biberão continuava a não estar bem.

Como tínhamos mudado de Pediatra, este muito preocupado e atencioso, sugeriu que tentássemos mudar de atitude em relação à Mel. Não estipular horários, seguir o ritmo dela…

E assim o fizemos, mas infelizmente a nossa pequenina continuava mal-disposta. Passava os meus dias com ela ao colo, porque se a deitava bolçava e já não mamava na mamada seguinte. Mesmo de noite ficava com ela uma hora após a mamada.

Colocá-la a arrotar era um verdadeiro suplício. Ela gritava e reprimia o arroto e se não arrotasse não mamava… uma angústia para mim.

Pensava que a “dureza” de ter um bebé pequeno seriam as noites mal dormidas (e eu só dormia 2 horas por noite), mas para mim a dificuldade não era essa, era a angústia, o cansaço que me deixava destruída e a ela também. Dormir de dia era impossível, entre ficar com ela ao colo, tirar leite e outras pequenas tarefas essa missão era impensável.

A Mel dormia mal… não chorava porque sempre foi muito resignada, mas contorcia-se, gemia e eu não podia fazer nada para a ajudar! Que terrível impotência…

Aos 3 meses e 3 semanas, por indicação do Pediatra introduzimos as papas, para ver se com os sólidos ela melhorava.

Os meses foram passando e quase que passei a acreditar que tinha de aceitar que a minha filha era especial e que não havia nada a fazer. Até que ela nos deu sinais, da pior forma possível, de que isto não podia continuar assim. Começou a rejeitar a comida… passava cerca de 16 horas sem ingerir um mililitro.

Foi aí que disse para mim mesma que isto não podia continuar e fui ao Hospital São João. Foi-lhe diagnosticado uma Esofagite (que significa inflamação do esófago) em consequência de refluxo, que ela sofria desde que nasceu…