Nós Mães temos um defeito terrível... Achamos que só nós é que sabemos tratar do nosso filho e que mais ninguém o consegue fazer. Pois é, mas o Pai também tem um papel activo e fundamental e há que dar espaço para esse relacionamento ganhar força e crescer. Se em alguns aspectos a Mãe é insubstituível, noutras, o Pai pode e deve intervir...
É comum a todos os futuros papais, principalmente nos de primeira viagem, uma mistura de emoções ao se defrontar com a paternidade. Trata-se de uma situação totalmente nova. Com a mulher é um pouco diferente. Assim que se descobre grávida, ela já se sente mãe. O homem precisa de um tempo para digerir a novidade e sentir-se parte desta família que se está a formar.
A pedido de um amigo que é um Pai recente e de primeira viagem, aqui segue uma pequena exposição sobre papel do pai, pelo conceituado psicologo Luiz Castanheira que afirma que o pai tem uma função muito importante na formação da personalidade e no aspecto emocional da criança.
É nesta hora que o papel do pai se faz necessário pois, sendo o terceiro elemento a entrar nesta relação, ele vem quebrar um pouco esta relação dual, criando uma relação triangular.
Muitas vezes, as mulheres não permitem a participação do pai, pensando que o mesmo não saberá lidar adequadamente com o filho; outras vezes não permite por achar que o papel da mãe é cuidar exclusivamente do bebé. É importante que o pai participe desde os primeiros dias da educação e cuidados com o filho.
Nas fases seguintes, quando o bebé passa a explorar o mundo externo, novamente a figura paterna é importante para incentivá-lo a tomar a iniciativa de conhecer o ambiente que o cerca. A mãe geralmente tende a exagerar nos cuidados para proteger o seu bebé, cabendo ao pai o papel de animá-lo a aventurar-se mais.
Os pequenos progressos da criança ao enfrentar o mundo, sempre incentivado pelo pai, vão sedimentando os seus sentimentos quanto às suas habilidades e ao seu próprio valor enquanto pessoa.
É reconhecido um importante papel do pai no desenvolvimento da criança: a interacção pai/filho é um dos factores decisivos para o seu desenvolvimento cognitivo e social, facilitando a capacidade de aprendizagem e de integração da criança na comunidade.
A razão principal pela qual o pai deve ter um relacionamento adequado com seu filho, é porque um dia esse filho tornar-se-á adulto e levará essa imagem reflectida por toda a sua vida.
Essa imagem, é uma herança preciosa que os filhos carregam, herança que se reflectirá na maneira como serão pais mais tarde; uma herança quase que perpétua, passada de geração a geração, perpetuando a imagem, a função e a importância do pai na formação de um adulto.
A intervenção do pai com o filho deve ser o mais precoce possível. Pode começar durante a gravidez da mãe, com o apoio e cuidados que deve prestar a esta, e os laços de afectividade que aí se poderão estabelecer, (os bebes reconhecem a voz do pai e da mãe ao acabarem de nascer - Brazeltom chama a atenção que o bebé sente, vê, ouve, compreende e comunica na barriga da mãe) continuando com o momento do nascimento, onde a sua presença parece aumentar o interesse e o envolvimento posterior com a criança.
A participação do pai parece ir aumentando com a idade da criança.
O pai tem passado, ao longo dos tempos, de um papel preferencialmente disciplinar e sem qualquer envolvimento na infância precoce, para uma participação mais activa, quer na prestação de cuidados básicos, quer na de parceiro interactivo.
Estas sensibilizações da sociedade têm-se reflectido em modificações importantes inclusivamente de âmbito jurídico/legal.
O pai foi invadindo progressivamente o território anteriormente propriedade quase exclusiva da mãe e tornou-se tão competente a tratar dos filhos como ela e as diferenças entre pai e mãe são cada vez mais individuais do que de género.
O pai terá feito uma das últimas grandes conquistas do Homem, quando aceita (e com sucesso) o desafio da descoberta do bebé, esse ser que o surpreende, que o entende e com o qual pode comunicar em perfeita sintonia desde o primeiro momento da sua vida.
Actualmente fala-se muito em auto-estima, porém esquece-se de salientar o quanto o papel do pai é fundamental neste processo.
Um outro ponto que vale a pena ressaltar é que o pai fornece um modelo de conduta para o seu filho, é com ele que se aprende a ser homem. Para a menina o relacionamento com o pai permite-lhe compreender como funciona o universo masculino, e em função disto, aprende a lidar com as figuras masculinas na sua vida afectiva.
Ter uma boa relação com o pai não é exactamente ter no pai um companheiro e um amigo que encara com naturalidade todo e qualquer pedido que se faça. Pai é pai; amigo é amigo. O pai pode e deve ouvir, ajudar e ser compreensivo, mas sempre como pai, diferentemente dos amigos da escola ou do grupo. É claro que nem sempre se consegue corresponder a todas as expectativas ou suprir todas as necessidades dos filhos. Da mesma forma os filhos também não agem sempre da forma como os pais gostariam, mas estamos a falar de seres humanos e não de gente perfeita. Por isso a compreensão é a palavra - chave na relação entre o pai e os seus filhos.
Hoje podemos delinear pais mais presentes. No entanto, o ideal ainda está longe de ser real.
De uma maneira geral, a função do pai é dar apoio à estrutura familiar, usando a razão como factor preponderante, e aqueles pais que entendem as suas responsabilidades, formam juntos com a mãe a estrutura familiar para dar aos filhos, a qualidade que eles merecem.
Creio que o papel ideal do pai, é vivenciar o crescimento dos filhos, dar-lhes o apoio e segurança a que o seu papel compete, e ir soltando o laço afectivo, para que estes adquiram a confiança necessária em si e na vida.
Mas este pai, às vezes tem problemas e sérios problemas na relação com estes filhos. Muitos perdem-se nos padrões herdados de autoritarismo, outros competem com as mães nos afectos pelos filhos, outros apenas se submetem às ordens da sua esposa e outros repetem os laços das suas mães, vivendo assim na relação de pai/filho, um lado mais feminino do que o seu esperado lado masculino.
Nós estamos aqui neste momento para aprendermos a viver. Viver consigo, e com o próximo. O Papel de pai, tem tanta importância como o da mãe na estruturação de uma personalidade, pois se a natureza fez com que nenhum dos dois conseguisse sozinho esta proeza, é porque nós só evoluímos em conjunto, ou seja, mesmo individualmente, a nossa evolução é colectiva e pai e mãe têm a sua parte a fazer numa relação com os filhos. É a emoção, o afecto a razão e a disciplina tudo junto.
O pai tem o importante papel de formar o carácter do filho e dar-lhe uma referência para que este possa aplicá-la na sua vida. Para isso o pai precisa estar presente. A ausência do pai é um caso sério que, infelizmente, é muito comum.
Actualmente, existem muitas mães solteiras ou separadas que precisam criar os seus filhos, dar-lhes toda atenção e assistência necessárias. Muitas delas conseguem suprir todas estas necessidades, não só financeiras, como na formação da criança, exercendo uma função de pai e mãe ao mesmo tempo. O filho requer muito da presença paterna. Certamente, existem casos de pais que não têm o mínimo interesse na formação do carácter dos seus filhos, o que pode causar problemas e distúrbios na formação destas crianças. Todavia, é bom deixar claro que pai não é aquele que gera, mas aquele que cuida.
Existem muitos padrastos extraordinários que tomaram para si a responsabilidade e para a criança são como verdadeiros pais. E há outros que embora pais as maltratam.
Devemos conversar sempre e muito com os nossos filhos. E, se fazem algo que é errado, procurar manter um diálogo e fazê-los entender que tal atitude é incorrecta. O papel do pai com os filhos é estar presente, atento, acompanhando o seu desenvolvimento na escola, enfim, acompanhá-los no dia-a-dia. Este é um bom momento para que possamos reflectir qual é o verdadeiro papel do pai, faço uma pergunta: você, pai, tem exercido bem o seu papel? Os filhos levam para a vida a referência paterna e aplicam-na no seu dia a dia. A vida é uma sequência, o que se aprende hoje aplica-se amanhã.
Estudos constataram que as crianças em idade escolar, nas famílias em que o pai também cuidava delas quando eram pequeninas, demonstram um aumento significativo do seu QI, maior tempo de atenção e mais vontade de aprender. (Terry Brazelton).
Na nova distribuição igualitária dos papéis masculino e feminino, o homem como marido, como pai e como educador tem sido o principal alvo de transformação. ”

Bastante interessante este artigo do Psicologo Castanheiro.Dos mais completos que li.
ResponderEliminarÉ engraçado que com a constante luta por afirmação por parte da mulher na sociedade de hoje,perfeitamente natural a meu ver,por direitos iguais, salários iguais,reconhecimento igualitário,o tempo e a disponibilidade da mulher moderna escasseia.Assim,esta mulher moderna e cheia de objectivos e metas a cumprir tem, ou por necessidade ou por vontade, que fazer cedências.Estas cedências acabam por acontecer, nas palavras do Psicólogo,na "invasão" do Pai nos próprios cuidados básicos do filho/a, ou mesmo na orientação cada vez mais cedo do bébé.
Para mim como Pai de "primeira viagem" senti que esta "invasão" foi pacifica e solicitada pela mãe.Não há uma divisão explicita de tarefas no que toca o nosso filho como há nas restantes tarefas da casa.O bébé precisa de ser mudado, quem reparar muda; chegou a hora da papa, quem estiver perto dá a papa e por aí adiante.
Para não me alongar, cada vez mais reparo que a geração onde me incluo, voluntáriamente não são o "espelho" que os seus Pais (Pai) o eram, no que toca a participação nos cuidados básicos dos seus filhos, mas contrariam esta tendência por principio.
Nunca passou pela cabeça da minha avó ou da minha Mãe chamar os maridos na hora da troca de fralda....