sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Viver


Se antes de ser Mãe, eu já desejava partir deste frenesim e viver calmamente, num local rodeado de natureza, agora ainda mais.

Como eu queria ter tempo de saborear a Vida e o crescimento da minha filhota. Acordar de manhã e sentir a frescura do verde e o chilrear dos passarinhos. Tomar o pequeno-almoço numa varanda virada para uma montanha e um copo de sumo ao entardecer.

Quem me dera que a Mel pudesse correr e saltar livremente, sem medos e receios.

Quem me dera ter tempo…

E eu atormento-me pela Vida que podia levar, mas que por Medo não a conquisto. Medo de não ter dinheiro para sobreviver e sustentar a minha filha. Como gostaria que não dependêssemos de dinheiro…

Ainda pode acontecer… Ainda vai acontecer…

Como vai a minha princesa


A minha filhota está linda, muito activa, bem disposta… E continua a mesma pequenita paciente e ternurenta. Adora os seus brinquedos e passa tempos infinitos a morder, atirar e bater nos seus amiguitos.

A única altura em que reclama é quando tem de dormir de dia… “Tanta actividade e obrigam-me a dormir, enquanto estão os dois a divertirem-se lá em baixo” – imagino que seja isto que ela pense.

No que respeita à comida, tem dias ou melhor tem semanas. Esta semana está outra vez pior e eu começo a imaginar se foi do alimento novo que introduzi ou de alguma coisa que comi… Uma dificuldade…

Vou andando às apalpadelas e a tentar tirar um sentido disto tudo.

A boa notícia é que já não choro, nem me desespero… Tento levar as coisas na desportiva. Há-de tudo passar… Para a semana ela estará certamente melhor.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Papel do Pai na Amamentação por Perfeito, Perfeito é Mamar ao Peito

"Actualmente falamos muito em Aleitamento Materno mas sempre na perspectiva da Mãe. No entanto, penso que é importantíssimo incluír o pai neste processo.
Em Portugal sabemos que apenas 40% das mães atinge 6 meses de aleitamento materno (ainda que cada vez mais as recomendações da Organização Mundial de Saúde sejam divulgadas: 6 meses de amamentação em exclusivo e complementar até aos 2 anos ou mais).

As causas que levam a esmagadora maioria das mães a desistir da amamentação prendem-se com a insegurança, a falta de informação e a crença de que o seu leite não é suficiente em quantidade ou qualidade para alimentar o bebé.
Posto isto, o pai desempenha aqui um papel fundamental na transmissão de segurança à sua companheira. Se o próprio pai do bebé não for o primeiro a incentivar a amamentação e a conhecer os seus benefícios, a mãe sentir-se-à muito menos confiante.

Deixo-vos, então, um belíssimo texto do pediatra Marcus Renato sobre a participação do pai neste período tão importante na vida do bebé e da sua mãe:
Dez Passos para a participação efectiva e afectiva do PAI no apoio ao Aleitamento Materno
1. Encoraje e incentive a sua mulher a amamentar: Por vezes ela pode estar insegura da sua capacidade de aleitar. O seu apoio será fundamental nessas alturas.
2. Divida e partilhe as mamas da sua mulher com o bebé: Mesmo que seja difícil aceitar, lembre-se que a amamentação é um período passageiro. Dê prioridade ao seu filho(a).
3. Sempre que possível, participe do momento da amamentação: A sua presença, carícia e toque durante o acto de amamentar são factores importantes para a manutenção do vínculo afectivo do trinómio mãe+filho(a)+pai.
4. Seja paciente e compreensivo: No período de amamentação é pouco provável que a sua mulher possa manter a casa, as refeições e o seu próprio aspecto de formas impecáveis. As necessidades do recém nascido são prioridades nesta fase.
5. Sinta-se útil durante o período de amamentação: Coopere nas tarefas do bebé na medida do possível: trocar fraldas, ajudar no banho, vestir, embalar, etc. Quando a mãe estiver a amamentar, ofereça-lhe um copo de sumo de frutas ou de água, ela vai adorar!
6. Mantenha-se sereno: Embora o aleitamento traga muitas alegrias, também traz muitas dificuldades e cansaço. Por vezes a sua mulher pode ficar impaciente. Mostre carinho e compreensão neste momento. Evite discussões desnecessárias para não prejudicar psicologicamente a descida do leite.
7. Procure ocupar-se mais dos outros filhos (se os tiverem): Para que não se sintam rejeitados com a chegada do nov(a)o irmã(o). Isto permitirá à sua mulher dedicar-se mais ao recém-nascido.
8. Mantenha o hábito de acariciar as mamas da sua mulher: Se costumava fazê-lo. Estudos demonstram que quanto mais uma mulher é sensível às carícias do companheiro, mais reagirá à estimulação rítmica de seu bebé.
9. Fique atento às variações do apetite sexual da sua mulher: Algumas mulheres reagem com um aumento da libido, outras com uma diminuição, são alterações normais. Esta é a ocasião para o casal vivências novas experiências e hábitos sexuais, adaptando-se ao momento.
10. Não traga para casa latas de leite, biberões ou chuchas: O sucesso deste período, em grande parte depende, da sua atitude. O Aleitamento Materno exclusivo até aos seis meses e o seu carinho são tudo o que o bebé necessita para crescer inteligente e saudável."

O Pai na Amamentação, por Dr. Marcus Renato» texto retirado do blog Perfeito, Perfeito é Mamar ao Peito

O Papel do Pai


Nós Mães temos um defeito terrível... Achamos que só nós é que sabemos tratar do nosso filho e que mais ninguém o consegue fazer. Pois é, mas o Pai também tem um papel activo e fundamental e há que dar espaço para esse relacionamento ganhar força e crescer. Se em alguns aspectos a Mãe é insubstituível, noutras, o Pai pode e deve intervir...

É comum a todos os futuros papais, principalmente nos de primeira viagem, uma mistura de emoções ao se defrontar com a paternidade. Trata-se de uma situação totalmente nova. Com a mulher é um pouco diferente. Assim que se descobre grávida, ela já se sente mãe. O homem precisa de um tempo para digerir a novidade e sentir-se parte desta família que se está a formar.

A pedido de um amigo que é um Pai recente e de primeira viagem, aqui segue uma pequena exposição sobre papel do pai, pelo conceituado psicologo Luiz Castanheira que afirma que o pai tem uma função muito importante na formação da personalidade e no aspecto emocional da criança.

“Logo ao nascer o bebé e a mãe criam um vínculo de estreita dependência que é necessário à sobrevivência dele. Isto torna-se essencial pois o bebé depende exclusivamente dos cuidados maternos para ser alimentado, tocado e acariciado.

É nesta hora que o papel do pai se faz necessário pois, sendo o terceiro elemento a entrar nesta relação, ele vem quebrar um pouco esta relação dual, criando uma relação triangular.

Muitas vezes, as mulheres não permitem a participação do pai, pensando que o mesmo não saberá lidar adequadamente com o filho; outras vezes não permite por achar que o papel da mãe é cuidar exclusivamente do bebé. É importante que o pai participe desde os primeiros dias da educação e cuidados com o filho.

Nas fases seguintes, quando o bebé passa a explorar o mundo externo, novamente a figura paterna é importante para incentivá-lo a tomar a iniciativa de conhecer o ambiente que o cerca. A mãe geralmente tende a exagerar nos cuidados para proteger o seu bebé, cabendo ao pai o papel de animá-lo a aventurar-se mais.

Os pequenos progressos da criança ao enfrentar o mundo, sempre incentivado pelo pai, vão sedimentando os seus sentimentos quanto às suas habilidades e ao seu próprio valor enquanto pessoa.

É reconhecido um importante papel do pai no desenvolvimento da criança: a interacção pai/filho é um dos factores decisivos para o seu desenvolvimento cognitivo e social, facilitando a capacidade de aprendizagem e de integração da criança na comunidade.
A razão principal pela qual o pai deve ter um relacionamento adequado com seu filho, é porque um dia esse filho tornar-se-á adulto e levará essa imagem reflectida por toda a sua vida.

Essa imagem, é uma herança preciosa que os filhos carregam, herança que se reflectirá na maneira como serão pais mais tarde; uma herança quase que perpétua, passada de geração a geração, perpetuando a imagem, a função e a importância do pai na formação de um adulto.

A intervenção do pai com o filho deve ser o mais precoce possível. Pode começar durante a gravidez da mãe, com o apoio e cuidados que deve prestar a esta, e os laços de afectividade que aí se poderão estabelecer, (os bebes reconhecem a voz do pai e da mãe ao acabarem de nascer - Brazeltom chama a atenção que o bebé sente, vê, ouve, compreende e comunica na barriga da mãe) continuando com o momento do nascimento, onde a sua presença parece aumentar o interesse e o envolvimento posterior com a criança.

A participação do pai parece ir aumentando com a idade da criança.

O pai tem passado, ao longo dos tempos, de um papel preferencialmente disciplinar e sem qualquer envolvimento na infância precoce, para uma participação mais activa, quer na prestação de cuidados básicos, quer na de parceiro interactivo.

Estas sensibilizações da sociedade têm-se reflectido em modificações importantes inclusivamente de âmbito jurídico/legal.

O pai foi invadindo progressivamente o território anteriormente propriedade quase exclusiva da mãe e tornou-se tão competente a tratar dos filhos como ela e as diferenças entre pai e mãe são cada vez mais individuais do que de género.

O pai terá feito uma das últimas grandes conquistas do Homem, quando aceita (e com sucesso) o desafio da descoberta do bebé, esse ser que o surpreende, que o entende e com o qual pode comunicar em perfeita sintonia desde o primeiro momento da sua vida.

Actualmente fala-se muito em auto-estima, porém esquece-se de salientar o quanto o papel do pai é fundamental neste processo.

Um outro ponto que vale a pena ressaltar é que o pai fornece um modelo de conduta para o seu filho, é com ele que se aprende a ser homem. Para a menina o relacionamento com o pai permite-lhe compreender como funciona o universo masculino, e em função disto, aprende a lidar com as figuras masculinas na sua vida afectiva.

Ter uma boa relação com o pai não é exactamente ter no pai um companheiro e um amigo que encara com naturalidade todo e qualquer pedido que se faça. Pai é pai; amigo é amigo. O pai pode e deve ouvir, ajudar e ser compreensivo, mas sempre como pai, diferentemente dos amigos da escola ou do grupo. É claro que nem sempre se consegue corresponder a todas as expectativas ou suprir todas as necessidades dos filhos. Da mesma forma os filhos também não agem sempre da forma como os pais gostariam, mas estamos a falar de seres humanos e não de gente perfeita. Por isso a compreensão é a palavra - chave na relação entre o pai e os seus filhos.

Hoje podemos delinear pais mais presentes. No entanto, o ideal ainda está longe de ser real.

De uma maneira geral, a função do pai é dar apoio à estrutura familiar, usando a razão como factor preponderante, e aqueles pais que entendem as suas responsabilidades, formam juntos com a mãe a estrutura familiar para dar aos filhos, a qualidade que eles merecem.

Creio que o papel ideal do pai, é vivenciar o crescimento dos filhos, dar-lhes o apoio e segurança a que o seu papel compete, e ir soltando o laço afectivo, para que estes adquiram a confiança necessária em si e na vida.

Mas este pai, às vezes tem problemas e sérios problemas na relação com estes filhos. Muitos perdem-se nos padrões herdados de autoritarismo, outros competem com as mães nos afectos pelos filhos, outros apenas se submetem às ordens da sua esposa e outros repetem os laços das suas mães, vivendo assim na relação de pai/filho, um lado mais feminino do que o seu esperado lado masculino.

Nós estamos aqui neste momento para aprendermos a viver. Viver consigo, e com o próximo. O Papel de pai, tem tanta importância como o da mãe na estruturação de uma personalidade, pois se a natureza fez com que nenhum dos dois conseguisse sozinho esta proeza, é porque nós só evoluímos em conjunto, ou seja, mesmo individualmente, a nossa evolução é colectiva e pai e mãe têm a sua parte a fazer numa relação com os filhos. É a emoção, o afecto a razão e a disciplina tudo junto.

O pai tem o importante papel de formar o carácter do filho e dar-lhe uma referência para que este possa aplicá-la na sua vida. Para isso o pai precisa estar presente. A ausência do pai é um caso sério que, infelizmente, é muito comum.

Actualmente, existem muitas mães solteiras ou separadas que precisam criar os seus filhos, dar-lhes toda atenção e assistência necessárias. Muitas delas conseguem suprir todas estas necessidades, não só financeiras, como na formação da criança, exercendo uma função de pai e mãe ao mesmo tempo. O filho requer muito da presença paterna. Certamente, existem casos de pais que não têm o mínimo interesse na formação do carácter dos seus filhos, o que pode causar problemas e distúrbios na formação destas crianças. Todavia, é bom deixar claro que pai não é aquele que gera, mas aquele que cuida.

Existem muitos padrastos extraordinários que tomaram para si a responsabilidade e para a criança são como verdadeiros pais. E há outros que embora pais as maltratam.

Devemos conversar sempre e muito com os nossos filhos. E, se fazem algo que é errado, procurar manter um diálogo e fazê-los entender que tal atitude é incorrecta. O papel do pai com os filhos é estar presente, atento, acompanhando o seu desenvolvimento na escola, enfim, acompanhá-los no dia-a-dia. Este é um bom momento para que possamos reflectir qual é o verdadeiro papel do pai, faço uma pergunta: você, pai, tem exercido bem o seu papel? Os filhos levam para a vida a referência paterna e aplicam-na no seu dia a dia. A vida é uma sequência, o que se aprende hoje aplica-se amanhã.

Estudos constataram que as crianças em idade escolar, nas famílias em que o pai também cuidava delas quando eram pequeninas, demonstram um aumento significativo do seu QI, maior tempo de atenção e mais vontade de aprender. (Terry Brazelton).

Na nova distribuição igualitária dos papéis masculino e feminino, o homem como marido, como pai e como educador tem sido o principal alvo de transformação. ”

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

INTRODUÇÃO DE SÓLIDOS NA ALIMENTAÇÃO

por Carlos González*

Os conflitos entre a mãe o filho durante a amamentação ou uso de mamadeiras podem ser terríveis, mas ainda bem que são pouco frequentes. A introdução de alimentos sólidos é uma oportunidade nova de perigo e devemos trilhar este caminho com cuidado.
Para esclarecer, quando mencionamos “sólidos”, não nos referimos apenas aos alimentos oferecidos ao bebé com uma colher. Usaremos o termo para referir-se a qualquer comida além de leite humano ou leite modificado, mesmo água, chá ou comidas duras como bolachas.
Muitas mães encontram-se sobrecarregadas de informação a respeito de regras, grandes, pequenas e médias envolvendo alimentação de bebés. Elas recebem conselhos de pediatras e enfermeiros, algumas informações muito mais complexas e detalhadas que aquelas dadas pelos especialistas famosos, palpites de família e amigos, bem como as “conversas de comadre” que alertam sobre evitar comidas “reimosas” ou “incompatíveis”.

Incapaz de seguir todas as regras ao mesmo tempo, muitas vezes a mãe opta por rejeitar todas e fazer somente aquilo que ela quer. O risco é de que ela ignore as recomendações realmente importantes. Para evitar tal problema, vou diferenciar claramente entre as opções onde há um grau de consenso em relação à sua importância (baseadas numa combinação de normas internacionais) e aquelas sugestões que parecem úteis, embora outros profissionais possam ter opções diferentes.

Pontos Importantes

Tenha em mente os seguintes pontos, embora eles não devam ser tomados como dogma:

1. Nunca force uma criança a comer.
2. Amamente exclusivamente até 6 meses (sem papinhas, suco, água, chás, etc.).
3. Aos 6 meses, comece (sem forçar) a oferecer outros alimentos, sempre depois da mamada ao seio. Bebés não amamentados devem tomar 500ml de leite artificial por dia.
4. Introduza os alimentos um de cada vez, esperando uma semana entre comidas novas. Comece com quantidades pequenas.
5. Ofereça alimentos que contêm glúten (trigo, aveia, centeio) com precaução.
6. Quando cozinhar para o bebé, escorra bastante o alimento, evitando encher a barriga dele com água.
7. Espere até 12 meses de idade para introduzir alimentos altamente alergénicos (especialmente lacticínios, clara de ovo, peixe, soja, amendoim e muitas outras comidas que já causam alergia em membros da família).
8. Não acrescente sal ou açúcar aos alimentos.
9. Continue amamentando por 2 anos ou mais.

Em algumas situações pode-se introduzir sólidos antes de 6 meses (mas nunca antes de 4): quando a mãe trabalha, por exemplo. Ou quando a criança claramente pede para ser alimentada agarrando o alimento e colocando-o na boca sozinha.

“Oferecer” significa que, se ele quiser comer, o bebé come, mas se não quiser, não come. Muitas crianças recusam tudo menos o seio até 8 ou 10 meses, muitas vezes mais.

Alimentos sólidos são oferecidos depois da amamentação, não antes, e certamente não em substituição à amamentação. Somente assim você tem certeza de que seu bebé tomará o leite de que precisa. Acredita-se que entre 6-12 meses, o bebé precise de cerca de 500 ml de leite por dia. Claro que isso é uma média, muitos tomam mais e outros ficam bem com menos. Uma criança que toma biberão pode facilmente ficar bem com 2 biberões de 250 ml ao dia. Não é razoável, porém, esperar que um bebé amamentado tome 250 ml a cada 12 horas; os seios da mãe ficariam desconfortavelmente cheios. Faz mais sentido para bebés amamentados tomar 100 ml cinco vezes por dia, ou 70 ml sete vezes por dia. Certamente você não sabe (ou não sabia antes de iniciar os sólidos) quanto leite o seu bebé mama; mas se ele é amamentado antes da oferta de sólidos, você fica tranquila sabendo que ele mama o que precisa.

Que comidas devo oferecer primeiro?
Não importa. Não há base científica que suporte a recomendação de um alimento antes de outro. Se oferecer frutas primeiro, seguidas por cereal, depois frango, você estará seguindo as orientações da ESPGAN (Sociedade Européia de Gastroenterologia e Nutrição Pediátricas). Mas se você der frango, depois legumes e cereais por último, também estará dentro das normas.
Digamos que você decida começar com banana esmagada. Depois da amamentação, ofereça ao bebé uma ou duas colheres. No primeiro dia é sempre melhor oferecer só um pouquinho, ainda que ele aceite bem. Se ele recusar a primeira colherada, não insista, mas continue oferecendo a cada um ou dois dias. Se ele aceitar bem, você pode aumentar a quantidade a cada dia. Depois de uma semana, você pode tentar outro alimento, como batata doce ou abacate. Na semana seguinte, pode oferecer um pouquinho de arroz. Cozinhe arroz (melhor ainda, cozinhe até virar papa), sem adicionar sal. Você pode adicionar azeite (ficará mais saboroso e terá mais calorias).

Esta ordem é só um exemplo, você pode inverter, se quiser. Claro, se alguma das comidas causar diarreia ou outros sintomas, ou se o bebé rejeita veementemente, é melhor esperar algumas semanas. Se uma reacção mais severa é observada, como uma vermelhidão na pele, consulte o pediatra.

Também não é necessário introduzir uma comida nova a cada semana. Variedade significa um pouco de cereais, um pouco de legumes, um pouco de frutas – mas não é vital que o bebé coma muito de cada grupo. As maçãs não possuem nada diferente das peras e a maioria dos adultos vive bem comendo apenas dois tipos de cereal: arroz e trigo, deixando o resto para o gado. Se seu filho já come frango, você não estará acrescentando nada ao oferecer novilho. Antes de 1 ano, a introdução de muitos alimentos diferentes somente significa comprar mais bilhetes para a lotaria da alergia.

A razão principal de oferecer outros alimentos ao bebé com 6 meses (e não depois) é que alguns bebés precisam de ferro extra. Portanto, seria lógico que comidas ricas em ferro fossem introduzidas primeiro. Por um lado, há carnes com alto teor de ferro orgânico altamente biodisponível. Por outro, há legumes, leguminosas e cereais que contêm ferro inorgânico, mais difícil de ser absorvido a menos que esteja combinado com vitamina C. É por isso que muitos adultos comem a salada primeiro (rica em vitamina C), depois os grãos e legumes, com a sobremesa por último. O que é comumente feito com bebés na Espanha não é uma ideia muito boa, oferecendo -lhes somente grãos numa refeição, legumes na outra e fruta na próxima. Quando o seu bebé ingere muitos alimentos, é uma boa ideia combiná-los , oferecendo-os numa mesma refeição ao invés de fazer menus monocromáticos (“hora do cereal”).

E se ele não quer comer comida de bebé?
Não se preocupe, isso é totalmente normal. Não tente forçá-lo. Você talvez tenha sido aconselhada a oferecer sólidos antes do peito, assim ele estará com fome suficiente para comer. Isso não faz o menor sentido, uma vez que o leite materno nutre muito mais que qualquer outro alimento. É por esta razão que usamos o termo “alimentação complementar”. Sólidos não são nada mais que um complemento ao leite materno. Se seu bebé mama e depois rejeita frutas, nada acontece; mas se ele aceita fruta e depois não mama, ele sai perdendo. Mais fruta e menos leite é uma receita para perda de peso.

O mesmo vale para leite artificial. Lembre-se de que se você não está amamentando, você precisa dar ao bebé meio litro de leite diariamente até que ele tenha 1 ano de idade. Não é bom negar o leite para que ele coma mais.”

Do livro My Child Won’t Eat
*Médico pediatra, pai de 3 filhos amamentados até depois dos 2 anos, fundador e presidente da Asociación Pro Lactancia Materna

A Angústia da Separação


Quando o bebé chega aos seis ou oito meses de idade, começa a operar a angústia da separação que, geralmente, continua a manifestar-se de uma forma ou de outra até os cinco anos. Em breve o bebé começa a sentir pânico quando não vê sua mãe. É preciso levar a sério a intensidade dos seus sentimentos. A mãe é o seu mundo, é tudo para o bebé, representa a sua segurança.

Um pouco de compreensão.
O bebé não está “chatinho” nem “pegajoso”. O sistema de angústia da separação, localizado no cérebro inferior está geneticamente programado para ser hipersensível. Nos primeiros estágios da evolução era muito perigoso que o bebé estivesse longe da sua mãe e, se não chorasse para alertar seus pais do seu paradeiro, não conseguiria sobreviver. O desenvolvimento dos lóbulos frontais inibe naturalmente esse sistema e, como adultos, aprendemos a controlá-lo com distracções cognitivas.

Se você não está, como ele sabe que você não foi embora para sempre?
Não lhe pode explicar que vai voltar logo, porque os centros verbais do seu cérebro ainda não funcionam. Quando ele aprender a engatinhar, deixe-o segui-la por todas as partes. Sim, até ao banheiro. Livrar-se dele ou deixá-lo no parque não só é muito cruel, como também pode produzir efeitos adversos permanentes. Ele pode sentir pânico, o que significa um aumento importante e perigoso das substâncias stressantes no seu cérebro. Isso pode resultar numa hipersensibilização do seu sistema de medo, o que lhe afectará na sua vida adulta, causando fobias, obsessões ou comportamentos de isolamento temeroso. Pouco a pouco, ele vai sentir-se mais seguro da sua presença na casa, principalmente quando começar a falar.

A separação aflige as crianças tanto quanto a dor física.
Quando o bebé sofre pela ausência dos seus pais, no seu cérebro activam-se as mesmas zonas que quando sofre uma dor física. Ou seja, a linguagem da perda é idêntica à linguagem da dor. Não tem sentido aliviar as dores físicas, como um corte no joelho e não consolar as dores emocionais, como a angústia da separação. Mas, tristemente, é isso o que fazem muitos pais. Não conseguem aceitar que a dor emocional de seu filho é tão real como a física. Essa é uma verdade neurobiológica que todos deveríamos respeitar.

As separações de curto prazo são prejudiciais.
Alguns estudos detectaram alterações a longo prazo do eixo HPA do cérebro infantil devido a separações curtas, quando a criança fica aos cuidados de uma pessoa desconhecida. Esse sistema de resposta ao stress é fundamental para nossa capacidade de enfrentar bem o stress na vida adulta. É muito vulnerável aos efeitos adversos do stress prematuro. Os estudos com mamíferos superiores revelam que os bebés separados de suas mães deixam de chorar para entrar num estado depressivo. Param de brincar com os amigos e ignoram os objectos do quarto. À hora de dormir há mais choro e agitação. Se a separação continuasse, o estado de auto-absorção do filho agravava-se e tal conduziria à letargia e a uma depressão mais profunda.

Pesquisas realizadas nos anos setenta demonstraram que alguns bebés cuidados por pessoas desconhecidas durante vários dias entravam num estado de luto e sofriam de um trauma que continuava a afligir-lhes anos depois. Os bebés estudados estavam sob os cuidados de adultos bem-intencionados ou em creches durante alguns dias. Os seus pais iam visitá-los, mas basicamente, estavam em mãos de adultos que eles não conheciam. Um menino que se viu separado da sua mãe durante onze dias deixou de comer, chorava sem parar e atirava-se ao chão desesperado. Passados seis anos, ele ainda estava ressentido com sua mãe. Os pesquisadores observaram a inúmeras crianças que haviam sido separadas de seus pais durante vários dias e se encontravam em estado de ansiedade permanente. Muitos passavam horas imóveis, olhando a porta pela qual havia saído sua mãe. Aquele estudo, em grande parte gravado em filme, mudou no mundo inteiro a atitude em relação às crianças que visitam suas mães no hospital.

Mas, não é bom o stress?
Algumas pessoas justificam a sua decisão de deixar o bebé desconsolado como uma forma de “inoculação de stress”. O que significa apresentar ao bebé situações moderadamente stressantes para que aprenda a lidar com a tensão. Aqueles que afirmam que, os bebés que choram por um prolongado período de tempo, só sofrem um stress moderado estão enganandos.

Tradução de um trecho do capítulo O Choro e as Separações do livro The Science of Parenting de Margot Sunderland. Esse livro foi premiado em 2007 pela Academia Britânica de Medicina como o melhor livro de medicina popular. Não é um simples livro de conselhos para pais, mas sim um livro que, baseado em mais de 800 experimentos científicos, explica o que a ciência nos diz sobre como os diferentes tipos de criação afectam os nossos filhos.