quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Educação positiva ou intuitiva
O ponto de partida...
... foi a Teoria da Vinculação dos psicólogos John Bowlby e Mary Ainsworth, desenvolvida a partir do final dos anos 60. Eles mostraram que o bebé nasce com uma série de mecanismos que lhe permitem ligar-se a uma ou duas figuras de referência, normalmente a mãe e/ou o pai. A forma como decorre essa ligação vai ser determinante para todas as relações sociais do indivíduo, ao longo da vida, e para o desenvolvimento da sua personalidade.
Segundo a teoria de Bowlby, se existe na infância alguém em quem se pode confiar, que está sempre lá, que é «um porto seguro», então «os seres humanos de todas as idades são mais felizes e mais capazes de desenvolver os seus talentos».
Foi acreditando neste pressuposto que Barbara Nicholson e Lysa Parker fundaram, em 1994, a Attachment Parenting International(API). Desde logo com grupos de apoio, que divulgavam e davam suporte à passagem das teorias à prática. Na Europa o movimento está pouco divulgado, mas nos EUA é bastante divulgado e debatido. O pediatra Dr. Sears foi um dos seus precursores e continua um dos principais defensores. Também tem muitos opositores, claro. Afinal, a educação não é uma ciência exacta, como todos os pais já devem ter percebido.
Respeitar as crianças
«As pessoas que tentam respeitar as crianças enfrentam sérias dificuldades», afirma. «Não dês tanto colo, não dês de mamar à noite, estás a estragá-lo com mimos, chorar faz bem, deixa-o adormecer sozinho, eles têm muitas manhas, isso não é fome é mimo... são frases comuns que traduzem a forma como na nossa sociedade é regra educar uma criança. O objectivo principal é a independência, a autonomia, como se fosse suposto uma criança tornar-se independente na primeira infância», aponta Natália.
«É suposto uma criança ser dependente e prefiro que seja dependente de mim do que de alguém que eu não conheço. Além disso, a independência tem de vir da segurança interior e essa só se consegue com o tempo e com respostas positivas às necessidades de um bebé. Não está previsto pela natureza uma criança de três anos sair para caçar quando tem fome! É natural que sejam dependentes!».
Respeitar as crianças é fácil se fizermos o exercício de nos pormos no lugar delas. E se conseguirmos lembrar-nos da nossa infância. «Baixarmo-nos para conversarmos olhos nos olhos, ouvirmos o que nos dizem, em vez de ditarmos ordens de cima, será um bom princípio», aconselha Natália.
Dentro da sua realidade e do seu dia-a-dia, cada mãe / pai pode retirar da Educação Intuitiva aquilo que se insere nos seus valores, aquilo que para si funciona e faz sentido. «É uma caixinha de ferramentas para o dia-a-dia. Cada um usa as que quer». Descubra então que ferramentas são essas e como podem funcionar no seu filho, através dos oito princípios da Educação Intuitiva que Natália Fialho ajudou a trocar por miúdos:
1- Preparação para o parto e para a maternidade/paternidade
2- Alimentar com amor e com respeito
3- Responder às necessidades emocionais da criança
4- Promover o contacto físico
5- Responder às necessidades nocturnas das crianças
6- Garantir proximidade
7- Praticar a disciplina positiva
8- Procurar o equilíbrio entre vida familiar e pessoal
Deixar as crianças participar na solução de um problema é uma maneira de as deixar mais predispostas a segui-la. Fazer com elas um cartaz com a rotina da hora de deitar, por exemplo. Deixá-las consultá-lo e seguir a sequência, descobrindo elas o que vem a seguir a lavar os dentes e o que fazer a seguir à história. É como um jogo que as envolve e que pode evitar algum desgaste.
Quando vamos sair de um sítio onde as crianças estão muito bem a brincar, não devemos dizer de repente, está na hora de ir embora e arrastá-las por um braço porque não querem ir. As crianças envolvem-se muito nas brincadeiras e têm dificuldade em fazer uma transição de actividade. Devemos prepará-las e deixá-las participar. «Vamos combinar uma coisa: está quase na hora de ir embora, mas tu é que vais avisar a mãe. Quando acabares este puzzle, ainda podes fazer mais aquele e depois vais chamar a mãe para irmos embora, combinado?» Esta é uma forma quase garantida de evitar conflitos.
Mas os conflitos também vão acontecer. Nessa altura, a disciplina positiva propõe ensinar as crianças a respeitar todas as pessoas, como nós as respeitamos e elas. Se o seu filho bateu noutra criança no parque, em vez de o tratar como um agressor, de o envergonhar e de tratar o outro como uma vítima, deve tentar perceber o que motivou a agressão. Explicar que conversando se consegue resolver melhor os problemas. Em vez de o obrigar a pedir desculpa (que são aquelas desculpas impostas e não vêm de dentro, é como os beijinhos que os obrigamos a dar às tias chatas) tente resolver, respeitando todas as partes. E não impondo o seu poder. Deixar que as crianças tenham algum poder dá-lhes auto-estima, mas também as obriga a pensar nas consequências dos seus actos.
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