sábado, 15 de outubro de 2011

Reflexão

Não tenho escrito no meu blog, porque não tenho tido tempo ou disposição. Mas hoje à noite deu-me uma vontade irresistível de escrever umas linhas... sobre tudo e nada.
Hoje começou verdadeiramente o principio de algo. Todos sabíamos que as coisas não estavam bem. Contudo, quinta-feira o povo português entrou em choque. Tivemos uma sexta-feira apática, triste e desanimada.
E eu que estava tão cansada da palavra crise, parece-me que estou sempre a embarrar nela, nas notícias, nos jornais, na boca do mundo. E este espírito derrotista cansa-me.
As coisas estão mal, aliás péssimas na perspectiva económica. Ganhamos menos, pagamos mais e temos menos direitos.
Mas para mim o mais grave não são estas realidades, são outras... A perda de direitos, a falta de respeito e de liberdade... Parece que ninguém vê... Que quem nos dirige só pensa em finanças públicas, em equilibrar os desvios orçamentais e em prolongar o estado das coisas e da forma como vivemos.
E por isso, vamos todos trabalhar mais meia hora, porque já passamos todo o dia a trabalhar, mas como não chega, a solução é prescindir do tempo em família.
Vamos entregar os nossos filhos a estranhos para os criar. Vamos ser pouco presentes, chegar a casa mais tarde e deitá-los cedo. Dá tempo para meia hora de carinho e pouco mais. E isto é uma solução apresentada.
E os países nórdicos, que têm uma alta taxa de produtividade e às 16h já estão em casa com os seus filhos, a trabalhar a sua educação e instrução? E porque é que dão a possibilidade dos Pais ficarem com os filhos os primeiros anos em casa, recebendo por isso? Porque os jovens são o nosso futuro. E são com certeza mais equilibrados, quando acompanhados. Apostam na formação, na cultura.
Acreditam numa sustentabilidade, na protecção ambiental e nos produtos biológicos.
Estou cansada de corrupção, de injustiças sociais e de rendimentos mínimos. Estou cansada de pouca visão de futuro e poucas soluções.
E pergunto-me onde está o plano de salvação nacional? Porque não seguimos as tendências nórdicas? Porque não apoiamos verdadeiramente a criação de empresas fabricantes? Porque não se acabam com os poderes instalados..
Estou sentada e acabei de ver uma reportagem sobre a Guiné-Bissau. Eles sim vivem na miséria, sem instrução, sem saneamento, sem ter o que comer...
E daqui a umas décadas, se nada fizermos somos nós, a dita Europa desenvolvida. Os portugueses acham que pior não pode ficar, mas pode se não mudarmos. Se não apostarmos no que é estratégico. Se não voltarmos para a terra, se não entrarmos em conjugação com a natureza. Precisamos de a respeitar, de a aceitar e viver com menos coisas, mas bastante melhor.
Depois destas notícias, só me apeteceu sair do Porto, abandonar tudo e ir para o interior, viver com tempo para a minha filha e para mim.
Para SER FELIZ... Nós vivemos para sermos felizes, não uns desgraçados, que nos lamentamos por tudo, que aceitamos os fatalismos politicos e económicos. Basta começarmos por nós.
Eu sexta-feira estava triste, mas hoje já não! Fiz um esforço por mim, pela minha familia e acima de tudo pela minha filha. Estou bem disposta, porque sei que isto tem de acontecer para mudarmos.
Muitos falam do fim do mundo e eu acredito que isto tratasse mesmo do fim do mundo. Pelo menos, como nós o conhecemos. Estamos a aprender uma lição... Mas enquanto o fazemos, vamos tentar levá-la como uma necessidade!
Vamos dar tempo aos nossos filhos, a nós, a espalhar sorrisos e felicidades!

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